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CGTP pede no Terreiro do Paço uma "grande greve geral"

CGTP pede no Terreiro do Paço uma "grande greve geral"

Arménio Carlos anunciou, este sábado, frente aos milhares que encheram o Terreiro do Paço que, na próxima quarta-feira, um Conselho Nacional Extraordinário da CGTP discutirá a realização de uma "grande greve geral".

No final do discurso do secretário-geral da CGTP, alguns manifestantes começaram a desmobilizar do Terreiro do Paço.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, garantiuque a manifestação de hoje foi a "maior jornada de luta dos últimos anos", organizada pela Intersindical Nacional.

"Não vamos dar tréguas e a luta vai continuar até se concretizarem os nosso objectivos", disse o sindicalista, informando que decorrerá, entre 5 e 13 outubro, uma marcha contra o desemprego.

"Se não ouvirem a voz do povo a bem, então vão ter de ouvir a voz do povo a mal", avisou Arménio Carlos.

"Passos Coelho que vá embora e o mais depressa possível", exigiu o secretário-geral da CGTP, garantindo que a "CGTP não aceitará a redução de salários num cêntimo que seja".

"Não aceitamos políticas que levem ao naufrágio e ao afundamento do pais", acrescentou.

A CGTP convocou para dia 3 de Outubro um Conselho Nacional Extraordinário para discutir a realização de uma "grande greve geral", anunciou, ainda, Arménio Carlos.

Antes do discurso do líder da CGTP, entre buzinas e palavras de ordem, os "Homens da Luta" animaram a tarde no Terreiro do Paço, cantando várias músicas até ao momento em que chegou a maioria dos manifestantes que vinha em protesto desde os Restauradores.

A Praça do Comércio esteve cheia de bandeiras de sindicatos e cartazes escritos à mão com dizeres como "Otelo Por Favor Salva-nos" ou "Sinto que me estão a cagar em cima". Muitos outros cartazes mandam "recados" usando palavras ofensivas contra o primeiro-ministro e ao Presidente da República.

Jerónimo de Sousa juntou-se ao desfile dos manifestantes desde o Rossio até ao Terreiro do Paço e disse-se "profundamente emocionado com a manifestação", que considerou ser um salto qualitativo na luta e na consciência das pessoas.

O secretário-geral do PCP deixou uma espécie de aviso ao Governo: "Os portugueses estão atentos e o Governo não vai conseguir vender gato por lebre".

"O Governo está descredibilizado e sem condições para continuar", disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que encabeça o desfile rumo ao Terreiro do Paço, juntamente com Mário Nogueira, da Fenprof, e Ana Avoila, da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública.

"O que sairá deste protesto já não é um cartão amarelo ao Governo, mas um cartão vermelho", avisou Mário Nogueira.

A família Silva veio de Queluz para participar em mais uma manifestação, "pelo futuro dos filhos e pelo seu presente".

A mãe chama-se Guida e é professora, o que foi facilmente reconhecível ao vestir uma t-shirt vermelha com a frase "Eu sou professor": "Estou aqui porque as condições estão cada vez piores e as pessoas estão a manifestar-se, porque estão a chegar ao limite".

A filha Bárbara, aos 16 anos, já fala em emigrar porque "Portugal está muito mal".

O filho mais novo, Diogo, tem 12 anos, e está hoje na manifestação porque quer "um futuro melhor".

Trabalhadores de todo o país chegaram a Lisboa para participar na manifestação convocada pela CGTP, com o intuito de mostrar ao Governo o descontentamento dos portugueses perante as medidas de austeridade impostas, e para defender novas políticas de desenvolvimento para o país.

Só do distrito do Porto saíram mais de cem autocarros, com mais de seis mil trabalhadores, com destino à manifestação nacional.

Vários movimentos sociais juntaram-se à manifestação deste sábado, nomeadamente, os responsáveis pelo protesto de 15 de setembro - subscritores do apelo "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!" - e a Plataforma 15 de Outubro.

As forças de segurança também marcaram presença no protesto através da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, que integra elementos da PSP, GNR, Polícia Marítima, Guardas Prisionais, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

*Com Lusa

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