Economia

Christine Lagarde alerta para ameaças crescentes à economia global

Christine Lagarde alerta para ameaças crescentes à economia global

A economia mundial está a enfrentar cada vez mais riscos e as formas de lutar contra essas ameaças são cada vez menores, alertou, este sábado, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Christine Lagarde afirmou que, apesar das opções serem cada vez mas reduzidas, "uma acção resoluta vai ajudar a dissipar as dúvidas", e que o caminho da recuperação económica, apesar de mais estreito, é ainda mais possível.

"Em suma, os riscos para a economia global estão a aumentar, mas há ainda possibilidade de recuperação. As opções políticas são mais estreitas do que antes, mas há um caminho", afirmou a responsável, num discurso num encontro de presidentes e governadores de bancos centrais que decorre em Jackson Hole, no Estado do Wyoming, Estados Unidos.

"Tenho confiança de que, com as acções correctas, será possível restaurar o crescimento forte, sustentável e equilibrado", acrescentou.

O discurso de Lagarde surge um dia depois de Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal, o banco central dos Estados Unidos, ter dito que não há muito que a instituição que dirige possa fazer para reforçar o crescimento económico e apelou aos líderes políticos americanos que façam mais para estimular a criação de emprego e o mercado imobiliário.

Lagarde, por seu lado, salientou a necessidade de "uma nova abordagem, baseada numa acção política forte, com um plano abrangente que englobe todas as alavancas políticas, a implementar globalmente de forma coordenada".

A directora-geral do fundo disse que as opções políticas são mais reduzidas que em 2008 e que "não há soluções fáceis, mas isso não significa que não existam soluções", destacando, sobretudo, a consolidação fiscal e políticas macroeconómicas que estimulem o crescimento.

Por seu turno, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, reconheceu que a Europa está longe de completar as reformas estruturais e alertou para a demasiada regulação dos mercados de trabalho e de serviços na União Europeia (UE).

Apesar do "reconhecimento da necessidade de reformas estruturais" na UE, Trichet admitiu que estas estão "longe de estarem completas" e destacou a situação do mercado de trabalho e do mercado de serviços no espaço comunitário, que classificou de "demasiado regulados" e fora das "forças da concorrência".

"Embora se tenham registado melhorias na zona euro, é ainda evidente a existência de barreiras regulatórias em diferentes profissões, que devem ser activamente corrigidas", disse Trichet que, num painel com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), apelou ao "crescimento equilibrado e sustentável" como as bases da expansão económica a longo prazo.

Citando os casos de Espanha e da Irlanda, o responsável considerou que as "bolhas de crescimento" acabam por ter grandes custos em termos de bem-estar económico e insistiu na necessidade de manter "uma atenção continuada" aos desequilíbrios internos e externos e apelou a "uma maior flexibilidade" por parte das instituições políticas.

São estes, afirmou Jean-Claude Trichet, os elementos necessários para "um crescimento equilibrado e um ambiente de inflação baixa e credível".

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