Protesto

Clientes lesados do BES fizeram protesto no Novo Banco em Leiria

Clientes lesados do BES fizeram protesto no Novo Banco em Leiria

Um grupo de clientes lesados em papel comercial do BES invadiu, esta quarta-feira de manhã, as instalações do Novo Banco em Leiria. Ao início da tarde, o protesto foi repetido numa agência do Novo Banco da cidade.

Passavam cerca de nove minutos das 15.00 horas, quando o gerente da agência do Novo Banco, junto às piscinas municipais de Leiria, pediu aos manifestantes para saírem do espaço, porque estava na hora de encerramento.

Os clientes recusaram abandonar o local, voltando a exigir o pagamento do seu dinheiro. Meia hora depois, um agente da PSP de Leiria entrou na dependência bancária e falou com os manifestantes, explicando-lhes que se não saíssem iriam incorrer "num crime de desobediência".

Após alguma contestação, os manifestantes foram abandonando o espaço. "Já nos fizemos ouvir, agora saímos ordeiramente", anunciou um dos organizadores. Às 15.37 horas, os manifestantes já estavam na rua, prometendo continuar a luta.

O protesto nesta agência do Novo banco teve início cerca das 14 horas. De manhã, munidos de apitos e um altifalante, os manifestantes entraram numa outra agência do mesmo banco, a cerca de 500 metros, batendo com os pés no chão e gritando "Queremos o nosso dinheiro" e "A luta continua". Dizem sentir-se burlados e que "há pessoas a passar fome, sem dinheiro e com muitas dificuldades" devido à situação.

Muitos deles envergam ainda cartazes onde se lê "Não aos bancos abutres" e "Governantes e deputados, estamos no Novo Banco, quem o comprar tem de nos pagar".

"Reivindico o que é meu. Após ter vendido a quota que tinha na empresa fiz uma aplicação. Desde novembro que andam a dizer-me que vão resolver o meu problema, mas até agora nada. O dinheiro aparece no meu extrato de conta, mas se o quiser levantar não posso", disse o empresário Jorge Carreira.

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Já António Borda aplicou as poupanças de 50 anos de trabalho. "Prometeram-me uma solução para imigrantes, dizendo que me iria dar mais dinheiro. Agora não posso usar aquilo que é meu", lamentou, afirmando que mantém a esperança de reaver as suas poupanças.

Natural do Porto, Fernando Fernandes criticou a mudança de imagem do BES para Novo Banco, considerando que "gastaram dinheiro" dos clientes. "O Novo Banco foi pago com o meu dinheiro, com o dinheiro que eles não têm, quando há pessoas idosas, acamadas, cegas e algumas já tentaram o suicídio", devido ao "desespero" por que estão a passar, disse.

Estamos a "ser roubados pelo Governo", que "não dá qualquer resposta", e "burlados" por deputados que "estão calados", acrescentou.

"Há seis meses que dizem que vão resolver o meu problema. Dou-lhes dois meses. Quero que me digam olhos nos olhos que não me vão pagar. Depois logo vejo o que faço", afirmou, acrescentando que cada manifestante "representa mil pessoas".

"Somos pouco mais de 20, mas representamos 2500 famílias que ficaram sem nada", salientou Agostinho Santos, que se apresentou com um megafone para acusar o Governo e os responsáveis pelo banco pela situação de "milhares" de clientes.

A polícia acompanhou a situação à distância.

A 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.

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