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Coelima fecha se não for vendida até ao fim do mês

Coelima fecha se não for vendida até ao fim do mês

O administrador de insolvência da Coelima, Pedro Pidwell, vai propor aos credores que o processo de venda da histórica têxtil de Guimarães fique concluído este mês, caso contrário o desfecho "será o encerramento da empresa".

De acordo com o relatório da insolvência, assinado por Pedro Pidwell e que será votado sexta-feira em Assembleia de Credores, a intenção da massa insolvente "é conseguir assegurar as condições para que o negócio fique alinhavado antes do dia 30 de junho, com a transferência do remanescente dos encargos operacionais para o comprador do estabelecimento".

Para já, há três interessados na compra da Coelima que formalizaram a intenção junto do administrador de insolvência. Pedro Pidwell pediu a todos que apresentassem, até esta quarta-feira, propostas concretas de aquisição para serem avaliadas na Assembleia de Credores de sexta-feira.

Uma vez que a massa insolvente não tem meios de tesouraria para assegurar a totalidade dos encargos operacionais e fiscais de junho, nomeadamente os salários dos trabalhadores, o negócio tem de ser feito até ao final do mês, caso contrário "o desfecho inexorável será o encerramento da empresa e consequente despedimento dos trabalhadores", informou o administrador de insolvência.

Pedro Pidwell não pretende que a Coelima seja vendida com um plano de insolvência. A intenção é "vender o estabelecimento enquanto universalidade de bens e direitos, onde se incluem, naturalmente, os contratos de trabalho e os direitos de propriedade industrial e o nome Coelima". Ou seja, neste cenário, o comprador adquire a Coelima praticamente isenta de dívidas e o dinheiro da transação servirá para as abater.

De acordo com o relatório, foram reclamados 52 milhões de euros de créditos provenientes de mais de 500 credores, entre os quais 253 trabalhadores que reclamam um total de 10,8 milhões de euros. Estes créditos laborais só terão de ser pagos caso a empresa encerre, uma vez que a manutenção da laboração implica a continuidade dos trabalhadores.

Situação diferente é a dos créditos reclamados pela Caixa Geral de Depósitos (10,4 milhões de euros) Fundo Autónomo de Apoio à Concentração e Consolidação de Empresas (9,6 milhões), Novo Banco (7,4 milhões) e Banco Comercial Português (4,8 milhões). Nestes casos, se o valor da proposta de aquisição não cobrir a totalidade dos créditos reclamados, estas entidades podem acumular perdas.

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Na Assembleia de Credores, estes bancos e os trabalhadores terão o maior peso de votação na aprovação ou reprovação da solução proposta pelo administrador de insolvência. A sessão está marcada para sexta-feira às 10 horas no Tribunal Judicial de Guimarães. Está reservada aos titulares de créditos superiores a 10 mil euros, podendo os restantes fazer-se representar por outro cujo crédito seja pelo menos igual, ou agrupar-se de forma a completar o montante exigido.

Até ao momento, três empresas ou consórcios manifestaram intenção de comprar a Coelima. A primeira proposta foi a do consórcio RTL e José Fontão & Cia, ambas de Guimarães. Seguiu-se outro consórcio, composto pela Felpinter, de Santo Tirso, e pela Mundotêxtil, de Vizela. Por fim, a têxtil Mabera, de Vila Nova de Famalicão, também formalizou o interesse na compra. Podem surgir mais interessados, mas todos serão conhecidos na sexta-feira.

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