Economia

Cofres nunca estiveram tão cheios como agora

Cofres nunca estiveram tão cheios como agora

Os cofres do Tesouro, que são almofadas de segurança em forma de depósitos e numerário, em caso de algum acidente de mercado, tinham no final de novembro 18 664 milhões de euros, indicou o Banco de Portugal.

Trata-se do maior valor de sempre de depósitos nas séries disponibilizadas pelo banco central, tendo nesse mês aumentado uns expressivos 23% (3526 milhões de euros) face a novembro de 2014.

Esta subida no nível de depósitos contribuiu para agravar o nível global de dívida pública que, em novembro, subiu para 231.261 milhões de euros, também o valor nominal mais alto de que há registo. É que se trata de dinheiro pedido emprestado pelo Estado e não de poupança. Os depósitos são uma segurança, mas é dinheiro parado, num ambiente de taxas de juro muito baixas, não sendo canalizado para investimento ou para a redução da própria dívida.

O bolo da dívida pública engordou 4520 milhões no ano que terminou em novembro de 2015. O agravamento não reflete o resgate ao Banif, decretado em dezembro, e que custa aos contribuintes um endividamento adicional de 2255 milhões de euros, pelo menos.

Segundo o BdP, "em novembro de 2015, a dívida pública situou-se em 231,3 mil milhões de euros, aumentando dois mil milhões de euros face ao final do mês anterior. A variação reflete um aumento de empréstimos (0,9 mil milhões de euros) e emissões líquidas positivas de títulos (mil milhões de euros), nomeadamente de Obrigações do Tesouro".

"O incremento da dívida pública foi acompanhado por um aumento mais acentuado dos ativos em depósitos (2,5 mil milhões de euros), pelo que a dívida pública líquida de depósitos da administração central registou uma redução de 0,5 mil milhões face ao mês anterior, ascendendo a 213 mil milhões de euros no final de novembro de 2015", escreve o Banco na mesma nota.

A política dos "cofres cheios" é uma herança do programa de ajustamento que ainda não foi abandonada. O país, apesar das taxas de juro baixas, ainda não terá saído da zona de perigo e continua sem ter as contas públicas estabilizadas, como se provou com absorção do Banif.

A ex-ministra das Finanças já tinha constatado que a dívida pública "está, de facto, ainda muito elevada". Mas dá "o conforto de saber que, além disso, temos cofres cheios para poder dizer tranquilamente que se alguma coisa acontecer à nossa volta que perturbe o funcionamento do mercado, nós podemos estar tranquilamente durante um período prolongado sem precisar de ir ao mercado, satisfazendo todos os nossos compromissos", disse Maria Luís Albuquerque.

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