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Colapso no emprego seria quase o triplo se não fosse o lay-off

Colapso no emprego seria quase o triplo se não fosse o lay-off

Empresas que aderiram ao apoio do Estado reduziram pessoal em 7%, mas sem ele a destruição chegaria a 19%.

A destruição de emprego em Portugal teria sido quase três vezes maior sem o recurso por parte das empresas ao regime do lay-off simplificado (suspensão e redução parcial de horários).

De acordo com um estudo do Banco de Portugal (BdP) e do INE, apresentado esta terça-feira pelo novo governador Mário Centeno, o emprego afundou cerca de 6,7% no universo das empresas abordadas, mas de acordo com esses empresários, a eliminação de postos de trabalho teria chegado a cerca de 19% (quase o triplo) no período que vai do início da pandemia (em março) até meados de julho.

Centeno disse que a recessão esperada para este ano deve ser mais leve que o esperado há três meses (queda de 8,1% em vez dos 9,5% projetados em junho), mas avisou que embora a recuperação vá continuar, ela "vai ser cada vez mais lenta", vai demorar "mais alguns semestres" que "serão os mais difíceis".

O ex-ministro das Finanças reparou que a retoma não vai brilhar da mesma forma para todos os setores e que, em alguns deles, o desemprego e os despedimentos podem ser cicatrizes que demorarão a fechar.

Por exemplo, turismo e atividades que dependem de mais contacto presencial entre as pessoas podem sentir mais dificuldades.

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Os economistas do BdP debruçaram-se sobre o universo das empresas que recorreram ao lay-off simplificado. Destas, "30% reportaram ter reduzido postos de trabalho desde o início da pandemia".

"Tendo em conta a magnitude das quedas reportadas pelas diferentes empresas, estima-se que o emprego se reduziu quase 7% nestas empresas", diz o Banco.

Na ausência do lay-off simplificado, regime que vigorou de março ao final de julho, "77% das empresas beneficiárias da medida referiram que teriam diminuído os postos de trabalho, resultando numa redução do emprego de 19%".

"O efeito da medida é mais notório nos setores transportes e indústria, eletricidade, gás e água, onde a diferença entre a redução dos postos de trabalho observada e esperada na ausência do lay-off simplificado atinge 20 pontos percentuais (pp.) e 14 pp., respetivamente". "Esta diferença também é expressiva no alojamento e restauração", o que mais sofreu.

Segundo o banco central, o lay-off foi importante "na preservação da liquidez das empresas e na mitigação da queda do emprego no curto prazo, contribuindo assim para apoiar o processo de recuperação da economia".

No entanto, "temos mesmo de estar preparados", avisou o governador. Relevou a importância de conseguir recuperar bem e de forma abrangente, usar bem os recursos disponíveis (como o plano de recuperação e o Orçamento). "Se não estivermos preparados, outros tomarão o nosso lugar", avisou Centeno.

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