Economia

Comboios suprimidos pela greve provocam desespero

Comboios suprimidos pela greve provocam desespero

Se tenciona viajar de comboio, pense duas vezes. Nas estações de Campanhã e S. Bento, no Porto, há passageiros a esperar quatro horas por um comboio. E a greve continua até segunda-feira.

Foi o caso de Ricardo Ferreira. Chegou à estação de Campanhã, no Porto, às seis da manhã desta quinta-feira. Precisava de ir trabalhar para a Folgosa, na Maia. Mas só teve comboio às 10.45 horas. Foram quatro horas de autêntico desespero.

"Pior do que eventualmente perder as horas de trabalho é vir a perder o trabalho", disse, ao JN, sem conseguir esconder a preocupação. No mínimo, Ricardo terá que ir trabalhar na sexta-feira santa para compensar as horas perdidas. "Temos uma encomenda para entregar e o prazo está a ficar apertado", justifica.

O desalento de Ricardo Ferreira era comum às dezenas de pessoas que, àquela hora, olhavam desesperadas para os ecrãs da CP, em Campanhã, onde se repetia a palavra "Suprimido". Pelos altifalantes, sucediam-se pedidos de desculpa da empresa, pela constante supressão de comboios. Para se ter uma ideia, depois de Ricardo conseguir apanhar às 10.45 horas o comboio com destino a Braga, naquela linha apenas voltaria a passar outra composição às 14.25 horas desta quinta-feira.

Passageiros carregados de malas, turistas desorientados e utentes surpreendidos por uma greve que garantiam desconhecer era também o cenário, desta manhã de quinta-feira, na estação de S. Bento, no Porto. Por exemplo às 11 horas desta quinta-feira, lia-se no placard da linha dois que só voltaria a passar um comboio às 15.45 horas.

"Ai meu Deus!", gritava uma senhora idosa, quando se apercebeu que não sabia a que horas conseguiria regressar a casa, em Espinho, depois de uma manhã de passeio pelo Porto. Ao lado, Francisca, também desesperada, mas por regressar a Braga, tentava ajudar como podia. Mas também ela estava surpreendida com a greve e manifestava dificuldades em compreender o que queria dizer "suprimido". "Se soubesse, poderia ter reavaliado a minha vida de outra maneira", confessou.

O mesmo cenário, de utentes à espera de comboio em estações apinhadas e sem verem os comboios a passar, foi presenciado pelo JN na Linha de Sintra (Lisboa), Aveiro e Braga.

Recorde-se que a greve abrange os revisores da CP e prolonga-se até à próxima segunda-feira. Em causa, a exigência dos revisores de que seja cumprida a decisão dos tribunais relativa ao pagamento dos complementos nos subsídios desde 1996.

À paralisação dos revisores junta-se a greve ao trabalho em dia feriado convocada pela Federação do Sindicato dos Transportes e Comunicações (FECTRANS), que dura até domingo de Páscoa.