Covid-19

Comerciantes temem prejuízos com feiras vazias ou canceladas

Comerciantes temem prejuízos com feiras vazias ou canceladas

Federação Nacional das Associações de Feirantes fala em "discriminação" face aos shoppings e diz que medida levará alguns vendedores "ao abismo".

Eram sete da manhã e João Martins já se encontrava no recinto da feira de Pedras Rubras, na Maia, onde vende carne há 25 anos. No entanto, esta quinta-feira, foi impedido de montar a banca. Como forma de combate à Covid-19, a Autarquia decretou a suspensão da feira. Os prejuízos, estimou ao JN, advinham-se "enormes". Até porque também vende nas feiras da Senhora da Hora e de Custóias, em Matosinhos, que também foram canceladas.

"Encomendei as carnes, não as vou conseguir vender e tenho de pagar ao fornecedor, que não vai querer saber se as vendi ou não", referiu o comerciante de 60 anos, a quem não foi permitido sequer entregar os produtos, previamente encomendados, aos clientes.

O cenário estende-se de norte a sul do país. De acordo com a Federação Nacional das Associações de Feirantes (FNAF), a medida tem mais impacto na região Norte. No entanto, há registo de cancelamentos em Coimbra, em Lisboa e mais a sul. A nível nacional, existem mais de 26 mil feirantes.

A feira de Gondomar, que ainda resiste ao encerramento, estava esta quinta-feira praticamente deserta. Num dia sem chuva, o negócio foi fraco e as vendas ficaram aquém do esperado. Em seis horas de trabalho, Teresa Neves só conseguiu vender três lenços. Em conversa com as colegas de bancas vizinhas, antecipava prejuízos. "Vai ser muito mau para toda a gente. Hoje [quinta-feira], nem para o almoço dá", lamentou.

Com o aproximar da Páscoa, Teresa Neves espera a reabertura das feiras. "Nesta altura, as pessoas têm por hábito comprar as prendas para os afilhados", contou.

A poucos metros, na banca de Cidália Roque, abundam fruta e legumes. Só faltam os clientes. "Esta é a única feira que tenho a funcionar. Há coisas que vão acabar por ir para o lixo", disse a mulher, de 60 anos.

"Discriminação"

Feirante desde os 15 anos, António Carvalho sente-se revoltado: "Não tem lógica os centros comerciais continuarem abertos. É massacrar sempre o mais pequeno". O talhante, de 48 anos, faz cinco feiras semanais. Duas - Custóias e Póvoa de Varzim - estão encerradas.

"O problema é que as contas não param. Há que pagar a casa e as restantes despesas. Tenho um filho na faculdade e tenho de a continuar a pagar", revelou.

Mostrando-se indignado com a "discriminação" entre feirantes e as grandes superfícies comerciais, Joaquim Santos, presidente da FNAF, alerta que a atividade é o suporte financeiro de milhares de famílias e que a medida vai conduzir alguns vendedores "ao abismo".

"Hoje em dia, o que alguns feirantes conseguem tirar de dividendos num dia de trabalho serve para comerem à noite", frisou Joaquim Santos, que já transmitiu a "indignação" dos vendedores ao advogado da federação de feirantes.

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