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Companhias aéreas estarão a falsear tempos de voo para evitar indemnizações

Companhias aéreas estarão a falsear tempos de voo para evitar indemnizações

Ainda que a tecnologia esteja evoluir, os tempos de voo estão mais longos do que há dez anos, de acordo com um relatório que acusa as companhias aéreas de aumentarem artificialmente a duração do trajeto, para poderem mostrar níveis de pontualidade altos e evitarem pagar indemnizações aos passageiros.

A associação de defesa dos consumidores britânica "Which?" analisou os voos médios para 125 rotas operadas por grandes companhias aéreas em 2009 e comparou com os valores de 2017. Em 76 rotas, 61% das analisadas, os voos levavam agora mais tempo, pelo menos no papel. À partida, segundo as tabelas das empresas, 87% dos voos da British Airways eram mais lentos e o mesmo acontecia com 82% dos voos da Ryanair, 75% da Virgin Atlantic e 62% da easyJet.

Segundo as diferenças registadas, há alterações de dez minutos, mas também de 20 e 35 minutos, em rotas como as que ligam Londres a Nova Iorque. "As companhias são rápidas a dizer que adicionar 10, 20 ou 30 minutos aos voos vai melhorar as chegadas à hora marcada, ainda que a descida na pontualidade sugira que tal não aconteceu. Voos marcados com mais minutos significa que os passageiros vão estar mais tempo sentados junto à porta de embarque ou no avião, apenas para que a companhia possa dizer que é pontual", explica Rory Boland, editor da "Wich?" para a área de viagens.

O responsável pela organização de direitos do consumidor salienta ainda que o balizar dos tempos de voo com mais minutos do que seria necessário ajuda a que sejam pagas menos indemnizações por atrasos, dizendo que os consumidores poderão sentir que lhes estão a atirar areia para os olhos. Segundo a lei europeia, os clientes têm direito a compensações caso o voo chegue com mais de três horas de atraso.

Keith Mason, professor de gestão de transportes aéreos na Universidade de Cranfield, explica que é habitual as companhias aéreas darem algum "espaço de manobra" quando marcam os voos, já que qualquer atraso vai criar uma reação em cadeia, com atrasos a estenderem aos restantes voos do dia.

Um dos exemplos dados para demonstrar os efeitos deste insuflar dos tempos de voos é a Hong Kong Airlines, que atingiu o top das empresas mais pontuais adiando a hora de chegada em alguns dos voos, mas não melhorando o serviço. "Vimos que a chegada a horas era um problema, por isso permitimo-nos a ter mais tempo", explicou um dos responsáveis da companhia.

Ainda assim, as companhias aéreas defendem as mudanças com o congestionamento do espaço aéreo, mas também com o facto de estarem a voar a velocidades um pouco mais baixas, para tornar o consumo de combustível mais eficiente. A Ryanair explica ainda que os tempos de voo são ajustados tendo em conta a média da duração dos voos anteriores.

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