Economia

Consolidação orçamental tem que ser "compatibilizada com crescimento económico"

Consolidação orçamental tem que ser "compatibilizada com crescimento económico"

A deputada do CDS-PP Cecília Meireles encarou, esta terça-feira, com "preocupação" os dados divulgados pelo Banco de Portugal e defendeu que os princípios da consolidação orçamental devem ter "compatibilizados com o crescimento económico".

"É a segunda vez que entramos em recessão no espaço de dois anos. O CDS vê com preocupação estes dados, mas não está propriamente surpreendido, porque tinha alertado precisamente para este efeito", afirmou Cecília Meireles aos jornalistas no Parlamento.

O Banco de Portugal (BdP) reviu hoje em baixa a sua previsão para o crescimento económico, de -1,3 para -1,4 por cento este ano e alertou que as medidas necessárias para 2012, ainda não aprovadas, levarão a nova contracção.

"Estas previsões da primavera são mais realistas do que as projecções que o Governo tem feito. Lembro que o Governo ainda no Orçamento estava a prever um leve crescimento de 0,2, depois veio corrigir e disse uma recessão de 0,9 e agora o Banco de Portugal vem dizer que vamos ter uma recessão de menos 1,4", afirmou Cecília Meireles.

Considerando que os dados são "particularmente graves no caso do emprego", que deverá sofrer uma redução de 0,9 por cento em 2011 e de 0,3 por cento em 2012, Cecília Meireles referiu que "o CDS compreende e aceita os princípios da consolidação orçamental, mas ela tem que ser compatibilizada com o crescimento económico".

"Senão, entramos num clima de ciclo vicioso, de cada vez que fazemos consolidação há uma recessão económica, a recessão económica causa um défice e voltamos a ter que fazer consolidação orçamental", argumentou.

O Banco de Portugal, que cortou o desempenho que esperava em 2012, apontando agora para um crescimento de 0,3 por cento (anterior projecção era de 0,6 por cento), sublinha que as medidas necessárias para atingir os objectivos para o próximo ano "atingem uma dimensão muito substancial" e que a sua adopção vai levar a uma "nova contracção significativa da actividade económica" à semelhança do que já prevê para este ano.

A economia portuguesa deverá continuar a destruir emprego até 2012, projecta o Banco de Portugal, depois de ter registado uma redução do emprego na ordem dos 1,5 por cento em 2010.

O emprego deverá sofrer uma redução de 0,9 por cento em 2011 e de 0,3 por cento em 2012.

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