Empréstimos

Consumidores endividaram-se em 16,6 milhões por dia

Consumidores endividaram-se em 16,6 milhões por dia

Deco alerta que há mais famílias a recorrer ao crédito ao consumo para pagar despesas.

Na totalidade dos novos créditos ao consumo, os portugueses endividaram-se em 16,6 milhões de euros por dia no 1.º semestre deste ano. No total, incluindo o crédito para compra de automóvel, os consumidores contrataram 3015 milhões de euros em crédito ao consumo até ao final de junho, acima dos 2,7 milhões registados no período homólogo de 2020.

Os dados foram ontem divulgados pelo Banco de Portugal e mostram um aumento homólogo no recurso ao endividamento, embora traduza um montante abaixo do nível observado no mesmo período de 2019, de 3,6 mil milhões de euros.

Mais 88 milhões de euros. Este foi o aumento do crédito ao consumo concedido só através de cartões de crédito e linhas a descoberto em Portugal, no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período de 2020. Os consumidores contrataram 2,7 milhões de euros por dia na primeira metade deste ano apenas naquela modalidade, num total de 501 milhões de euros.

Contas domésticas

Além daquele montante, foi contratado em crédito pessoal sem finalidade específica um montante da ordem dos 1256 milhões de euros entre janeiro e junho deste ano. No total, em crédito pessoal sem finalidade definida, cartões de crédito e linhas a descoberto, os consumidores endividaram-se em 1757 milhões de euros na primeira metade deste ano. Trata-se de um valor de 9,7 milhões de euros por dia em crédito contratado naquelas modalidades.

A Deco - Associação para Defesa do Consumidor alerta que mais famílias estão a recorrer a este tipo de crédito para conseguirem pagar dívidas e despesas da casa. A associação teme que haja um aumento deste tipo de endividamento nos próximos meses, à medida que as famílias sejam confrontadas com o fim da moratória pública no crédito à habitação, que vai ocorrer no final do próximo mês de setembro.

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Fim das moratórias

"É previsível que estes números tendam a aumentar no próximo trimestre quando as famílias retomarem o pagamento da prestação do crédito à habitação", disse Elisabete Policarpo, jurista do Gabinete de Proteção Financeiro da Deco. "Muitas famílias já estão a recorrer ao crédito fácil - cartões de crédito e linhas a descoberto - para pagarem as suas despesas da casa".

"Muitas famílias não recuperaram o rendimento que tinham antes da crise. Ao longo deste ano, foram terminando algumas das medidas de apoio que estavam em vigor", adiantou.

A Deco volta a apelar à adoção de um regime transitório para preparar o fim das moratórias no crédito à habitação.

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