Crise

Contas fragilizadas dez anos após resgate da troika

Contas fragilizadas dez anos após resgate da troika

Pandemia baralhou as previsões: estima-se défice de 5% este ano.

Uma década passada desde que, em 2011, Portugal recorreu a ajuda financeira externa, o país obteve em 2019 o seu primeiro e único excedente orçamental, mas debate-se com um novo agravamento das contas públicas, severamente penalizadas pela pandemia.

Foi a 6 de abril de 2011 que o Governo anunciou a inevitabilidade do pedido de ajuda às entidades internacionais, primeiro pela voz do então ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, e, horas mais tarde, numa comunicação ao país do primeiro-ministro, José Sócrates.

Seria, contudo, Pedro Passos Coelho a dirigir o país durante a intervenção internacional e a anunciar, em 4 de maio de 2014, a "saída limpa" do programa. Nos 10 anos passados desde que assumiu a necessidade de ajuda externa, Portugal reduziu progressivamente o défice, que passou dos 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB) registados em 2011 para 0,3% em 2018.

Dívida em valor recorde

Em 2019, com Mário Centeno nas Finanças, Portugal alcançou o primeiro excedente das contas públicas da sua história democrática, com um saldo positivo de 0,1% do PIB, e projetava um valor semelhante para 2020, não fosse o "tsunami" provocado pela pandemia, que levou o défice para 5,7% do PIB no ano passado.

O atual ministro das Finanças, João Leão, aponta um novo saldo negativo das contas públicas em 2021, admitindo que fique entre os 4,5% e 5% do PIB, acima da previsão atual de 4,3%.

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No que diz respeito à dívida pública, aumentou dos 114,4% do PIB em 2011 para o valor recorde de 133,6% no final de 2020, após ter atingido em 2019 o valor mais baixo desde o ano do resgate: 116,8% do PIB.

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