Trabalho

Corte de emprego foi mais violento entre estrangeiros

Corte de emprego foi mais violento entre estrangeiros

No ano passado pouco, mais de 148 mil pessoas com nacionalidade estrangeira estavam a trabalhar em Portugal, representando uma queda de quase 5% face a 2019. Trata-se da primeira vez que a população estrangeira cai nos últimos quatro anos e o maior decréscimo desde 2015, quando se verificou uma redução de 2,7%.

Os cálculos do JN/Dinheiro Vivo com base nos dados do inquérito ao emprego fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que a crise foi transversal a toda a população, mas no caso dos estrangeiros a destruição do emprego foi mais vincada, em termos relativos. Entre 2019 e 2020, registou-se um decréscimo de 4,8% neste segmento da população, mais do dobro dos trabalhadores com nacionalidade portuguesa, com uma queda de 1,9%.

Este é o primeiro retrocesso na população estrangeira empregada desde 2017, sendo que em 2019, atingiu o valor mais elevado da atual série do INE, que começa em 2011. Nesse ano estavam a trabalhar em Portugal 156 mil trabalhadores com nacionalidade estrangeira, representando um aumento de 28% face a 2018.

Depois da crise financeira de 2011, o contingente de trabalhadores de outras nacionalidades foi decrescendo, tendo atingido o número mais baixo em 2016, com 103,5 mil pessoas. Depois foi sempre a crescer, puxado pelo crescimento da economia, sobretudo de setores ligados ao turismo, como a restauração e o alojamento.

O gabinete de estatística alerta para as limitações na leitura desses dados. "As estimativas disponibilizadas com base no inquérito ao emprego devem ser objeto de análise cuidada quando se tratar de variáveis de baixa expressão quantitativa".

Jovens e precários

Os trabalhadores estrangeiros em Portugal são mais jovens do que os nacionais, e mais de um quinto tem contratos precários, considerando os trabalhadores por conta de outrem.

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De acordo com o INE, perto de 40% da população estrangeira a trabalhar em território nacional tem entre 15 e 34 anos, o que excede a proporção de portugueses nessa faixa etária, que é de apenas 24%.

Qualificações

Com o ensino secundário há 45,2% de estrangeiros e apenas 29,1% de nacionais. Já no ensino superior, as quotas estão muito próximas, mas com vantagem para os imigrantes.

Remuneração

Apesar de uma qualificação superior ou semelhante à dos portugueses, os estrangeiros têm, em média, um rendimento mensal líquido mais baixo. No escalão entre 600 e 900€ estão 47% dos estrangeiros e 38% dos nacionais. Mas com 900€ ou mais estão apenas 16% dos estrangeiros, contra 30% dos nacionais.

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