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Crédito habitação: "Os contratos sujeitos a negociação são entre 5% e 6%"

Crédito habitação: "Os contratos sujeitos a negociação são entre 5% e 6%"

Amortizar é, para Nuno Rico, melhor investimento do que depósitos ou aplicações financeiras. Face à subida das taxas de juro, o economista da Deco Proteste explica se e porque deve amortizar, no caso de haver liquidez na família.

O que justifica o aumento das amortizações?
As famílias que conseguiram poupar, durante o tempo da pandemia, aproveitaram a liquidez adicional e amortizaram no sentido de reduzir dívida e de prevenir já este aumento de juros que está a acontecer.

E das renegociações?
Esta situação foi provocada muito por causa do final das moratórias, que levou a muita renegociação de contratos para as famílias. Segundo o levantamento que nós fizemos junto dos bancos, a percentagem de contratos sujeitos a negociação está entre 5% e 6%. Parece que conseguiram encontrar soluções em 36% dos casos, porque a Banca não tem interesse algum no incumprimento.

Este é um bom momento para amortizar?
Eu diria que sim, com a premissa de que as famílias tenham essas poupanças disponíveis, como é óbvio. Dificilmente eu consigo uma aplicação financeira onde coloco o meu dinheiro, em vez de amortizar, em que a taxa líquida que eu receba seja superior. Isto com aplicações de baixo risco, como é óbvio, porque as outras nem são comparáveis. As pessoas estão a pagar o crédito com taxas de 2% e 3%, enquanto que eu dificilmente consigo aplicações com esse valor.

A suspensão da taxa de amortização é positiva?
Não me parece que será por aí que as pessoas serão mais incentivadas a amortizar. Obviamente, é uma medida positiva, é menos esse custo que se comporta, mas, para se ter aqui uma ideia, são cinco euros por cada mil euros de amortização.

Não é muito relevante?
Não deixa de ser dinheiro, mas não acredito que alguém, que vai agarrar em dez mil euros para amortizar, o vá fazer por causa dos 50 euros que vai poupar.

E é uma suspensão, portanto é temporária...
Acho que era a altura indicada de, em vez de se ter essa suspensão temporária das comissões de amortização, se adotar no crédito à habitação o modelo semelhante àquele que existe no crédito ao consumo.

Qual é a diferença?
O modelo de crédito ao consumo das comissões de amortização antecipadas diz que, se tiver um contrato de taxa variável, a comissão é zero e, se tiver um contrato de taxa fixa, a comissão é de 0,5%. O que nós achamos é que esta é a altura indicada para adotar o exemplo que já existe desde 2009 com modelos de comissões máximas baixas.

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