Economia

Croácia prepara entrada na UE com crise económica a ensombrar as celebrações

Croácia prepara entrada na UE com crise económica a ensombrar as celebrações

A Croácia prepara grandes festejos para celebrar a adesão à União Europeia, a 1 de julho, mas os problemas económicos, do país e da união, ensombram as perspetivas dos croatas no final de oito longos anos de negociações.

Mais de 100 dirigentes europeus - entre os quais o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho - vão juntar-se no domingo em Zagreb às autoridades croatas e a milhares de cidadãos para as celebrações na principal praça da capital.

Simbolicamente, à meia-noite, na fronteira com a Eslovénia, a única outra ex-república jugoslava que integrou a UE, a placa onde se lê "Alfândega" vai ser retirada.

Ao mesmo tempo, na fronteira com a Sérvia, que espera a marcação de uma data para o início das negociações de adesão, vai ser colocada uma placa azul com a inscrição União Europeia.

Para Zagreb, e outras cidades de Croácia, está prometido um espetáculo de fogo-de-artifício, mas para muitos dos 4,2 milhões de croatas a entrada na União foi perdendo brilho com o passar dos anos.

O presidente, Ivo Josipovic, um forte apoiante da adesão à UE, admitiu numa entrevista recente que a crise económica e financeira europeia afetou o estado de espírito dos croatas quanto à entrada no bloco europeu.

"Mas somos mais fortes juntos e a única saída da crise é com mais Europa e não menos Europa", defendeu.

Dos cerca de 80% de croatas que apoiavam a adesão há oito anos restam agora pouco mais de 50%, segundo sondagens recentes. Em abril deste ano, apenas 21% dos eleitores participou nas primeiras eleições para o Parlamento Europeu no país.

Em 2004, quando se iniciaram as negociações, a integração europeia era para os croatas uma forma de deixar para trás o legado das guerras dos Balcãs dos anos 1990, mas o longo processo de adesão, que demorou o dobro do tempo da vizinha Eslovénia, criou algum euroceticismo.

Por outro lado, os indicadores macroeconómicos da Croácia são fracos. O país será um dos mais pobres da UE, que luta ela própria com a crise das dívidas e uma recessão que afeta nove Estados membros.

O Produto Interno Bruto (PIB) croata está 39% abaixo da média europeia e é o terceiro mais baixo da União, depois da Bulgária e da Roménia, segundo o organismo de estatísticas europeias Eurostat.

A crise financeira na UE, destino de 60% das exportações da Croácia, teve grande impacto na economia, orientada sobretudo para o turismo. Nos últimos quatro anos, as contas nacionais alternaram entre a recessão e a estagnação e o desemprego atingiu os 20%.

O governo espera que a entrada na UE envie uma mensagem de estabilidade aos investidores estrangeiros e se salde em cerca de 11,7 mil milhões de euros de ajuda financeira europeia.

O mais antigo e reputado diário croata, o Novi List, escreveu num recente editorial que "os croatas partilham do sentimento de que a UE já não é um abrigo seguro nem a salvação".

"Mas a única alternativa seria regressar ao que tínhamos ontem, e nós sabemos que não queremos isso", conclui o editorial.