Economia

Decisão de descer "rating" de Portugal para "lixo" é "infeliz e terrorista"

Decisão de descer "rating" de Portugal para "lixo" é "infeliz e terrorista"

O antigo ministro da Indústria Luís Mira Amaral considera que a decisão da Moody's de descer o 'rating' da dívida portuguesa é "infeliz" e "terrorista" até porque acabou de tomar posse um novo Governo.

"É evidente que o país não está em boa situação, mas acho manifestamente infeliz e até terrorista fazer esta descida de 'rating' neste momento, quando entrou um novo Governo que teve a maioria absoluta", disse à Lusa o também presidente do Banco BIC.

Para Mira Amaral, a decisão é ainda mais "precipitada e exagerada" quando o novo Governo tem maioria absoluta e "já disse que vai cumprir escrupulosamente as medidas da troika e ainda vai mais além".

A decisão, sublinhou, tem "consequências negativas no sentido em que aumenta os custos de capital e, portanto, os encargos financeiros não só do Estado português como também dos bancos e grandes empresas".

Apesar de admitir que a crise possa alastrar-se a outros países da Zona Euro, como Espanha, Bélgica e Itália, Mira Amaral não acredita que se esteja à beira do fim da moeda única.

"Eu não acredito que o euro acabe, o que pode estar em causa é a permanência de alguns países na Zona Euro dado que a Alemanha e aqueles países que não têm défices comerciais não vão passar a usar as suas moedas nacionais", afirmou.

"O que pode acontecer é isto ser propagado a países como a Espanha e eventualmente a Bélgica e a Itália", acrescentou, considerando que "tudo vai depender da forma como a crise grega evoluir e das consequências das ondas de choque na Zona Euro".

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A agência de notação financeira Moody's cortou na terça-feira em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de 'lixo' (junk).

Em comunicado, a agência apresenta três razões para esta revisão.

Por um lado, a Moody's argumenta que existe o risco crescente de Portugal precisar de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados no segundo semestre de 2013.

Refere também que existe uma "possibilidade crescente de a participação dos investidores privados ser imposta como pré-condição" para esse segundo resgate, à semelhança do que está a ser estudado no âmbito de um segundo pacote de ajuda à Grécia.

Um terceiro argumento utilizado pela Moody's prende-se com o agravamento dos receios de que Portugal não seja capaz de cumprir a totalidade das metas de redução do défice e da dívida acordadas com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, no âmbito do empréstimo de 78 mil milhões de euros.

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