Consumo

Deco espera redução do preço do gás de botija em seis euros até final de maio

Deco espera redução do preço do gás de botija em seis euros até final de maio

A associação de defesa do consumidor Deco espera uma "descida de seis euros ou mais no custo de uma garrafa de gás butano até ao final de maio", adiantou esta terça-feira o organismo.

"O preço do petróleo tem estado a baixar desde final de 2019 - desceu de cerca dos 70 dólares para menos de 30 dólares por barril, no início de abril - o que se tem refletido nas cotações dos seus derivados, como o gás" e por isso, "é expectável uma descida do preço do gás engarrafado já este mês", garante a Deco.

A associação analisou a evolução do preço do gás butano engarrafado, "o mais utilizado em Portugal" e conclui que "existe um desfasamento de cerca de dois meses entre a variação do preço de referência e o seu reflexo no valor pago pelo consumidor".

Assim, no entendimento da Deco, que usou o indicador de preço de venda ao público publicado pela ENSE (Entidade Nacional para o Setor Energético), bem como o preço de referência, que "reflete as alterações ocorridas no preço da matéria-prima, assim como os custos associados ao frete, às taxas e aos impostos sobre esta componente", torna-se já evidente que "este mês é expectável que se comece a refletir a descida e que o preço da botija de gás, atualmente num valor médio de 26 euros, se aproxime dos 23 euros".

A entidade acredita ainda que a descida de preços "terá de continuar para acompanhar a queda que tem ocorrido nos derivados do petróleo. Daí apontarmos para valores inferiores a 20 euros, por garrafa, até finais de maio".

A Deco indica até que estes valores podem ser atingidos mais cedo, tendo em conta que "o aumento do consumo doméstico, devido ao confinamento a que estamos sujeitos, pode levar a que os 'stocks' existentes sejam escoados mais rapidamente".

No dia 6 de abril, a Apetro - Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas alertou, em comunicado, para as diferenças entre o gás engarrafado e os combustíveis líquidos.

"Embora os diferentes operadores presentes no mercado nacional possuam modelos de negócio com algumas diferenças, a todos é comum a existência de uma rede de revenda total, com cerca de 50.000 pontos de venda, um parque estimado de mais de 10.000.000 de garrafas, e com vendas superiores a 200.000 garrafas por dia", ou seja, existe um "nível de intermediação necessário para assegurar uma cobertura adequada do território" e que assegura mesmo entregas em casa.

A Apetro garante ainda que "a cotação dos produtos nos mercados internacionais não se pode reduzir ao 1.º dia de cada mês, pois ao longo do mês existem variações significativas, como aconteceu em janeiro, após o ataque com drones no Irão, não tendo nessa altura, como se comprova pelos preços a 01 de fevereiro, esse aumento sido refletido nos preços ao consumidor final" e que "os principais operadores em Portugal apenas definem o preço para a 1ª linha da rede de revenda (revendedores), não definindo os preços praticados ao longo da cadeia de valor".

A Apetro diz ainda que o IVA a 23% em Portugal é superior ao praticado em outros países e que em Espanha "onde os preços nalgumas tipologias de garrafas são inferiores aos praticados em Portugal" existe uma "fixação dos preços, por vezes abaixo do custo, que se tem traduzido em défices tarifários acumulados na ordem das centenas de milhões de euros, e em condenações judiciais do Estado Espanhol".

A Deco sublinha, por sua vez, que o que "não pode de todo acontecer é os preços manterem-se e muito menos aumentarem", relembrando "às autoridades competentes o seu dever de regulação, fiscalização e punição".

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