Relatório

Desemprego no Norte desce para valores de 2002

Desemprego no Norte desce para valores de 2002

A região Norte tem uma taxa de desemprego de 6,2%, ficando abaixo da média nacional (6,3%). Há 17 anos que tal não sucedia.

No entanto, há um sinal vermelho: as exportações regionais recuaram ao fim de seis anos de incremento. Estas são algumas das conclusões do relatório Norte Conjuntura relativo ao segundo trimestre deste ano.

"Há uma recuperação significativa em três anos. Na região Norte, só há 113 mil desempregados. Em 2017, tínhamos quase 180 mil [dados do INE]", sublinha, em declarações ao JN, Fernando Freire de Sousa, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

A taxa de desemprego dos trabalhadores com o Ensino Superior da região do Norte diminuiu para 4,6% no segundo trimestre face a igual período de 2018, o valor mais baixo deste século. Um sinal de que o novo emprego criado tem mais valor acrescentado? "A queda do desemprego tem a ver com a dinâmica económica do país e da região também. Adicionalmente, começamos a ver efeitos da mudança lenta do nosso padrão de especialização económica e da nossa capacidade crescente de absorver trabalhadores mais qualificados", reconhece Freire de Sousa.

Exportações dão alerta?

Após 24 trimestres de crescimento consecutivo, o valor das exportações do Norte diminuiu 1,8%, em termos homólogos. Tendo em conta o peso da indústria transformadora nortenha no conjunto do país, podemos estar perante um sinal preocupante? "A indústria transformadora do Norte representa 40% das exportações de bens. Durante seis anos, as vendas ao exterior da região aumentaram consecutivamente, mas no segundo trimestre de 2019 caíram 1,8%. Não sei se este é um sinal de alertar, embora os números do terceiro trimestre possam vir a contrariar este cenário revelado pelos dados do segundo trimestre", refere o presidente da CCDR-N.

O salário médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem da região atingiu o valor de 865 euros, registando um crescimento de 3,6% face ao trimestre homólogo de 2018. A nível nacional, o valor é de 911 euros. É a menor diferença entre o salário médio nacional e o regional desde o início de 2008, ano identificado normalmente como sendo o início da crise financeira que levou Portugal a pedir um resgate em 2011.

No entanto, nem todos os setores pagam valores próximos dos 865 euros. "Há um discurso sobre a necessidade de assentar o crescimento cada vez menos em baixos salários. Mas a verdade é que a indústria transformadora (790 euros) pratica vencimentos muito abaixo da média, já para não falar do turismo (635 euros)", sublinha, Freire de Sousa.

Vencimentos no Estado

Os salários na administração pública da região caíram 8,4% no segundo trimestre. "O emprego público que foi recuperado no Norte é mais mal pago comparativamente aos funcionários que já estavam e que se foram reformando", diz Freire de Sousa.

Sub-regiões

As maiores quedas homólogas do desemprego ocorreram, segundo dados do IEFP, nas sub-regiões do Alto Minho (15%), da Área Metropolitana do Porto (16,7%) e do Tâmega e Sousa (14,7%).

Dormidas de estrangeiros com valor recorde

As dormidas de estrangeiros no alojamento turístico representaram 63,1% do total, o valor mais elevado desde que há registo na região.

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