Estratégia

Os dez pilares de Costa e Silva para ativar a economia até 2030

Os dez pilares de Costa e Silva para ativar a economia até 2030

O consultor do Governo apresentou um plano no Conselho de Ministros. Propõe alta velocidade entre Lisboa e Porto, melhores transportes e construção de quatro hospitais.

A "Visão estratégica para o plano de recuperação económica e social de Portugal 2020-2030" foi apresentada, esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, pelo consultor nomeado por António Costa, há cerca de um mês, para ajudar a preparar a recuperação económica pós-covid. António Costa e Silva, autor do plano e CEO da petrolífera Partex, a quem já chamaram de "paraministro" ou de ministro da Economia invisível, planeou a estratégia mas não definiu valores de investimento para erguer os dez pilares, como divulgou o jornal online Eco. Ferrovia, reindustrialização, reconversão industrial, recapitalização das empresas, banca, Estado, turismo, transição energética, saúde e social são os dez eixos alvo das recomendações.

Alta velocidade e corredor atlântico
A recuperação da economia precisa da conclusão dos planos ferroviários nacionais em curso e planeados, especialmente a ligação ao corredor atlântico - que permitirão ligar o porto de Sines ao centro da Europa. Os portos nacionais poderão ser reconvertidos, mas todos precisam de investimento. A conetividade do país beneficiará de uma nova rede ferroviária nacional "mais competitiva, mais limpa e em sintonia com os esforços de descarbonização da economia". O plano propõe uma linha de alta velocidade entre Porto e Lisboa para passageiros e também a expansão das redes de metro no Porto e em Lisboa. Cidades como Braga, Guimarães, Coimbra e Leiria deverão desenvolver os transportes coletivos.

Energia verde e reindustrialização
O gestor propõe a promoção de uma nova fileira industrial em redor do hidrogénio verde, estimulando as empresas a utilizar novas formas de energia e de armazenamento, nomeadamente o lítio, certificando as empresas com um selo de esforço verde associado à marca Portugal. A transição energética deverá investir na floresta e nos ecossistemas que podem valorizar o solo, fornecer recursos e combater a desertificação. A reconversão industrial deverá focar-se no fabrico de veículos do futuro, que poderá agregar centros de investigação e criar um cluster competitivo para as exportações.

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Recapitalizar e intervir
Costa e Silva propõe que as empresas possam recapitalizar-se através de um fundo de base pública aberto a fundos privados para coinvestimento. Para ajudar a banca, o país deverá alterar as condições fiscais. Para levar a cabo todo o plano, terá de ser o Estado a coordenar a execução, criando um interlocutor único para empresas que evite a dispersão por múltiplos organismos.

Nichos no turismo e casas acessíveis
A rentabilidade por turista deverá ser um indicador tão importante como o número de visitantes, promovendo-se a oferta diversificada do país nos mercados mais relevantes. Nichos de produto como o turismo da natureza, da saúde, cultural ou oceânico potenciam a resiliência do turismo de massas. As autarquias serão as entidades indicadas para gerir medidas de estímulo para a recuperação de casas vazias para arrendamento a quem precisa. O património do Estado deverá ser reabilitado para o arrendamento social. E porque tem de haver saúde, Costa e Silva aposta na conclusão da rede do SNS (Hospital de Lisboa Oriental, do Seixal, de Évora, do Algarve) e na ampliação da Rede Nacional de Cuidados Continuados tal como planeado.

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