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Aluguer de comboios a Espanha prolongado por mais dois anos

Aluguer de comboios a Espanha prolongado por mais dois anos

Como as 22 novas unidades para o serviço regional só chegam a partir de 2025, a CP terá de pagar, no limite, perto de cinco milhões de euros por ano à Renfe para garantir material circulante em linhas não eletrificadas.

ACP terá de prolongar, por mais dois anos, o aluguer de comboios a Espanha. O atual contrato termina no final de 2022 mas a transportadora terá de assinar um novo acordo com a congénere Renfe, porque as 22 novas automotoras para o serviço regional apenas vão começar a chegar em 2025. A opção vai custar aos contribuintes, no limite, perto de cinco milhões de euros, por ano, em 2023 e em 2024.

O atraso na encomenda de novas unidades justifica o prolongamento do acordo entre as duas empresas ferroviárias relativo ao aluguer das automotoras a gasóleo da série 592, com três carruagens (UTD). Em setembro de 2018, quando o governo autorizou a CP a comprar 22 comboios para o serviço regional, estava prevista a entrada em circulação entre 2023 e 2026.

A impugnação do concurso público por quase um ano, entre dezembro de 2019 e outubro de 2020, trocou as voltas à transportadora. Apenas em outubro do ano passado foi assinado o contrato com a empresa vencedora, a fabricante suíça Stadler.

A encomenda, contudo, ainda não foi feita porque o Tribunal de Contas aguarda documentos da CP para dar visto ao contrato, avaliado em 158,14 milhões de euros. A demora obrigou mesmo a reprogramar as verbas para comprar os 22 novos comboios regionais.

Por causa dos atrasos, as primeiras unidades da Stadler "deverão entrar ao serviço em 2025", assume a CP no seu mais recente relatório e contas. O mesmo documento antecipa pagamentos futuros relativos a automotoras "e tem período de vigência até 2025".

Confrontada pelo JN/Dinheiro Vivo, fonte oficial da transportadora confirma que, "enquanto a CP não receber as novas automotoras da Stadler, será necessário manter o aluguer de algumas das unidades UTD 592".

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Em 2020, a empresa gastou 8,3 milhões de euros no aluguer deste material à Renfe. A fatura para este ano será mais reduzida porque a CP prevê devolver, depois do verão, oito das 24 automotoras alugadas a Espanha, revelou, em maio, o presidente da transportadora, Nuno Freitas.

Atualmente, a empresa calcula que o aluguer de cada comboio custa 310 mil euros por ano. O preço por unidade tem variado ao longo dos anos e "depende dos quilómetros realizados anualmente".

Com base nessas estimativas, no próximo ano, o aluguer das automotoras deverá custar 4,96 milhões de euros.

Antes da chegada das novas composições, a CP lembra também que o plano de devolução dos comboios a Espanha depende da abertura da eletrificação dos troços Meleças-Caldas da Rainha (linha do Oeste) e Marco de Canaveses-Régua), prevista entre o final de 2023 e os primeiros meses de 2024, após as obras do plano de investimentos Ferrovia 2020.

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