Aviação

Azul cede e nacionalização da TAP é evitada durante a madrugada

Azul cede e nacionalização da TAP é evitada durante a madrugada

A Azul abdicou da opção de converter 90 milhões de empréstimo à TAP em capital, evitando assim a nacionalização da companhia.

Terça-feira ao final do dia, parecia quase certo que o governo ia nacionalizar a TAP. Contudo, as negociações entre o Estado e os privados alargaram-se pela noite fora e foi possível evitar a nacionalização da companhia aérea, avança o jornal online Eco. Informação esta que o Dinheiro Vivo/JN conseguiu confirmar na manhã desta quinta-feira.

O governo e a companhia aérea Azul alcançaram durante as últimas horas um acordo de princípio, faltando apenas os últimos detalhes para que o anuncio seja oficial. A Azul, companhia aérea fundada por David Neeleman, terá aceitado a exigência do governo: a eliminação de converter um empréstimo, realizado em 2016, de 90 milhões de euros em ações da companhia aérea.

Acordo oficializado nas próximas horas

Depois da maratona negocial, os advogados de ambas as partes conseguiram chegar a um texto comum e a formalização deste acordo, entre a Azul e o Estado. Ao que o Dinheiro Vivo apurou, o acordo vai ser oficializado nas próximas horas. Além disso, e tal como já tinha sido avançado pelo Eco e pelo Expresso, o empresário português Humberto Pedrosa mantém-se como acionista privado.

Neste momento, os acionistas da TAP são: o Estado que tem uma participação de 50%, o consórcio Atlantic Gateway, com 45%, e os funcionários, com 5%. David Neeleman é acionista da TAP através do consórcio. Este consórcio é, até ao momento, detido em parte iguais por Neeleman e por Humberto Pedrosa, com a venda da sua participação na sociedade, saindo assim da TAP, Pedrosa será o acionista privado.

Por outro lado, com o acordo alcançado, fica aberta a porta para que a ajuda de 1,2 mil milhões de euros possa começar a chegar aos cofres da companhia para fazer face a várias despesas nomeadamente o pagamento de salários. Nesta quarta-feira, o Correio da Manhã chegou a avançar que a empresa não tinha fundos para pagar os salários de julho.

Até agora, David Neeleman já cedeu em dois pontos: a representação do Estado no conselho executivo e a sua saída do capital da TAP, a troco de 55 milhões.

Os privados na TAP

Um passou toda a vida nos aviões, outro domina autocarros e chegou ao metro e comboio. Quem são os homens que dividem 45% da TAP? David Neeleman: O empreendedor dos ares Tem 60 anos, fundou a Azul, JetBlue, Morris Air, WestJet e Breeze Fundou a sua primeira companhia aérea, a Morris, no Utah, EUA, aos 24 anos. É de S. Paulo, mas passou grande parte da vida nos EUA. É presidente da brasileira Azul e administrador da TAP. Tem 32% na francesa Aigle Azur. Em fevereiro, lançou a 5.ª startup de aviação, a Breeze. Tem uma fortuna avaliada de mil milhões. É mórmon, casado e tem dez filhos.

Humberto Pedrosa: Em terra e nos caminhos de ferro Tem 62 anos, é dono do Grupo Barraqueiro, lidera a Fertagus e o Metro do Sul do Tejo Nascido em Mafra, é dono de um grupo com mais de 20 empresas nos transportes. A uma herança de autocarros regionais juntou a Rodoviária Nacional e construiu o gigante Barraqueiro. Somou-lhe a Fertagus, concessão da linha ferroviária sobre o Tejo, e a concessão do Metro Sul do Tejo, onde emprega mais de 5 mil pessoas.