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Portuguesas ganham menos 14,9% do que os homens

Portuguesas ganham menos 14,9% do que os homens

A diferença salarial entre homens e mulheres ronda, em Portugal, os 14,9%. No conjunto da União Europeia a diferença é ainda maior: 16,7%.

Remuneração à hora de valor mais baixo, menos horas de trabalho em atividades remuneradas e taxas de emprego inferiores. São estes os principais fatores que explicam a enorme disparidade salarial entre homens e mulheres, sendo esta uma realidade comum aos diversos países da União Europeia.

A informação divulgada esta segunda-feira com base em dados do Eurostat mostra que a diferença salarial horária entre géneros coloca Portugal a meio da tabela que retrata esta desigualdade, mas também revela que na Alemanha, Finlândia ou Holanda a diferença é ainda maior, com estes países a revelarem média de, pela mesma ordem, 22,3%; 18,4%; e 16,1%. A média da UE é de 16,7%.

Estes dados foram divulgados a propósito do Dia Europeia da Igualdade Salarial, que se assinala na próxima quinta-feira (3 de novembro), que equivale ao dia do ano em que as mulheres europeias deixariam de ser pagas - o que equivale a dizer que, por comparação com os homens, trabalham o resto do ano gratuitamente.

Dito de outra forma: perante a diferença salarial horária observada em Portugal, as mulheres trabalham na prática gratuitamente durante 14% do ano. A diferença é ainda mais acentuada se se tiver em conta a disparidade salarial global - que mede a diferença entre o rendimento médio anual das mulheres e dos homens. Mas, mais uma vez, Portugal apresenta dados mais favoráveis do que a média da UE. Por cá, esta diferença é de 26,5%, enquanto no conjunto da União Europeia ascende aos 39,8%.

Além do valor pago por hora e do número de horas trabalhadas, há outra ordem de razões para que isto suceda. Uma delas está diretamente relacionada com o facto de os cargos de gestão e de supervisão serem maioritariamente ocupados por homens. Baste referir que nos cargos de topo, a proporção de mulheres é inferior a 4%. A isto soma-se o facto de as mulheres dedicarem mais do seu tempo a tarefas não remuneradas (nomeadamente domésticas) e de tenderem a estar periodicamente afastadas do mercado de trabalho.

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