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Pais do Amaral e Frank Lorenzo juntos na corrida à privatização da TAP

Pais do Amaral e Frank Lorenzo juntos na corrida à privatização da TAP

Miguel Pais do Amaral, conde de Anadia, chairman da Prisa - o grupo espanhol que controla a TVI -, dono da Leya e acionista de tantas outras empresas, como a Reditus, a Companhia das Quintas ou os ginásios Fitness Hut, aliou-se ao antigo dono da Continental Airlines, o norte-americano Frank Lorenzo, e prevê apresentar brevemente uma proposta para a compra de 100% da TAP. A entrevista sobre a privatização da companhia aérea portuguesa e a crise no grupo Espírito Santo.

É conhecido por comprar barato, reestruturar e depois vender caro, sem olhar para trás. É um preconceito ou funciona mesmo assim?

Sou um homem de negócios. Posso vender ou não as empresas onde estou investido. Essa ideia feita que existe no mercado português está relacionada, eventualmente, com a Media Capital [Pais do Amaral já foi o principal acionista da dona da TVI]. E no caso da Media Capital, aquilo que fiz foi baseado numa análise objetiva do que seria o futuro dos media e do risco e retorno do meu investimento. Qualquer pessoa tem o direito de, se considerar que o seu investimento se tornou mais arriscado, vender. Foi o que se passou no caso da Media Capital. Não tenho presentes outras situações. Sou acionista de várias empresas e não consta dos meus planos vender qualquer uma dessas companhias. Sou um empreendedor. Agora, se alguma das minhas empresas estiver num sector em que o potencial de rentabilidade e de crescimento caia, ou em que o risco do negócio aumente - isto nos próximos cinco anos - é óbvio que saio. Isso parece-me normal e quem não o faz é, para mim, um mau homem de negócios e um mau empresário.

Essa ideia existente não o prejudica nos seus investimentos em Portugal. Por exemplo, está interessado na TAP. Será que a sua intenção é bem recebida pelo governo?

Tenho falado com as autoridades com que tenho de falar e não notei da parte delas nenhum tipo de preconceito. No caso da TAP, o nosso projeto não passa por comprar hoje e vender daqui a três ou quatro anos. A nossa proposta passa por formar um núcleo investidor que siga a estratégia presente da companhia aérea portuguesa, que tem sido uma estratégia de sucesso e de crescimento. E passa também por fazer um IPO [initial public offer, ou seja uma dispersão de capital em bolsa] daqui a, eventualmente, três ou quatro anos. A TAP é a quarta maior empresa portuguesa. O que desejamos é que mantenha uma estrutura acionista estável. Essa é a nossa proposta. Estou a entrar na TAP, ou vou fazer uma proposta enquanto promotor de um consórcio financeiro e o objetivo desse consórcio financeiro não é vender a companhia aérea daqui a três ou quatro anos. O objetivo será, isso sim, fazer o IPO. Achamos que a empresa tem dimensão para isso, é uma boa empresa, tem um bom track record, um bom management e merece ser olhada e apreciada.

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