Aviação

TAP estuda soluções para passageiros nos voos com Venezuela

TAP estuda soluções para passageiros nos voos com Venezuela

A TAP está a procurar "soluções para os milhares de passageiros" que têm reservas com a companhia portuguesa para os próximos voos com a Venezuela.

Para a viagem de ontem para Caracas, a primeira afetada pela decisão do Governo venezuelano de suspender por 90 dias as operações da empresa naquele país, a transportadora recorreu a outras companhias para que os passageiros pudessem regressar à Venezuela como previsto. A TAP opera dois voos semanais para Caracas.

A decisão do Governo venezuelano, fundamentada por alegadamente um avião da TAP ter transportado explosivos num voo de Lisboa para Caracas e ter ocultado a identidade do líder da oposição Juan Guaidó nessa viagem, desencadeou um conjunto de críticas das autoridades portuguesas. Para o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, essa resolução é "injusta", "inaceitável", "incompreensível" e "sem o mínimo de fundamento". "É uma postura, da ótica do Governo, da ótica do presidente da República, da ótica de Portugal, totalmente incompreensível", disse ontem. Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou ainda que a suspensão "tem efeitos reputacionais para a TAP" e "para Portugal".

Também Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, caracterizou de "infundamentada e injustificada", e "inamistoso para Portugal", a decisão do Governo de Nicolás Maduro, frisando que não foi apresentada "nenhuma prova que seja possível de escrutinar de forma objetiva, que não sejam apenas alegações".

Santos Silva lembrou que logo que surgiu a alegação do transporte de explosivos num avião da TAP foi aberto um inquérito, que ainda decorre, e que "é inconcebível" tomar-se uma decisão deste género sem ouvir a companhia aérea.

Portugueses surpreendidos

O governante adiantou que já segunda-feira à noite, logo após o anúncio do Governo venezuelano, "foram desencadeadas as diligências necessárias" para que esta decisão "seja alterada e que a TAP possa retomar os seus voos". Da parte da Venezuela, o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, fez saber que quer que a TAP e o Governo português reconheçam Nicolás Maduro como presidente e aconselhou o ministro português dos Negócios Estrangeiros a contactar o homólogo venezuelano para discutir as sanções impostas à TAP. "Eles sabem quais são os mecanismos. O respeito é o primeiro. (...) E aqui há um presidente que se chama Nicolás Maduro. Não há outro presidente", disse.

A empresa portuguesa é uma das poucas companhias aéreas com voos regulares para Caracas e esta suspensão vai afetar "sobretudo a comunidade portuguesa", disse à Lusa Fernando Campos, conselheiro das comunidades portuguesas. Os portugueses radicados na Venezuela receberam a notícia da suspensão com surpresa e incredulidade, chegando alguns a pensar que se tratava de um boato a correr nas redes sociais.

O Governo venezuelano alega que o tio de Juan Guaidó, que o acompanhava na viagem de Lisboa para Caracas, transportou "lanternas de bolso táticas", com "substâncias químicas explosivas no compartimento da bateria". A somar a esta acusação, a Venezuela diz que Guaidó viajou com o nome António Márquez. O líder da oposição da república bolivariana defendeu-se dizendo que viajou com o seu nome, Juan Gerardo António Guaidó Márquez.

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