Covid-19

Discotecas esperam fumo branco para poder reabrir pistas

Discotecas esperam fumo branco para poder reabrir pistas

Taxa de vacinação e ajuntamentos apontados como razões para abrir. Esperam que exigências sejam razoáveis.

Ainda sem saber se pode reabrir em breve as três discotecas de que é proprietário na cidade de Bragança, Telmo Garcia garante que abrir ou continuar de portas fechadas depende das condições impostas pelo Governo que poderão ser definidas no Conselho de Ministros de hoje. "Quero abrir, mas não a qualquer custo. Se for sem limitação no número de pessoas, sem limitação de horários, com apresentação de certificados de vacinação, testes e máscaras, abro. Agora cheio de limitações e obstáculos, não. É preferível continuar com as casas fechadas. Pelo menos, sei quanto estou a perder", explicou ao JN o empresário, que admite ter muitas expectativas sobre o que poderá ser decidido.

Também a Associação Nacional de Discotecas (AND) está expectante com a decisão que poderá sair do Conselho de Ministros relativamente à reabertura do setor.

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José Gouveia, da AND, espera que a decisão seja pela reabertura, porque estão cumpridas as condições previstas para antecipar a fase 3 do plano de desconfinamento em outubro.

"A taxa de vacinação foi acelerada. Estamos com 86% da população vacinada. Vamos ver se não inventam algum tipo de argumento para não reabrir ou então decidem pela reabertura, mas com restrições que não sejam exequíveis e que levem os empresários a desistir por não ser rentável", afirmou José Gouveia.

grandes ajuntamentos

Os ajuntamentos de jovens, sem qualquer tipo de controlo, onde o vírus pode propagar-se facilmente, são uma das grandes preocupações da AND. José Gouveia admite apreensão face às ocorrências na zona de Santos, em Lisboa, e em outros locais do país, ou as festas privadas em praias ou quintas. "Até para ultrapassar isto seria positivo abrir as discotecas", vincou.

Há 19 meses que as discotecas estão fechadas por decisão do Governo devido à pandemia. "Os prejuízos são muitos. Eu tenho 10 funcionários no quadro, em regime de lay-off, mas no mês passado só de Segurança Social e IRS paguei cinco mil euros. Houve poucos apoios para setor. As empresas estão sufocadas", diz o empresário de Bragança.

Telmo Garcia não faz contas ao que poderia ter ganho se as três discotecas tivessem trabalhado, mas contabiliza os prejuízos. "A empresa tinha um fundo de maneio que já foi gasto, um valor entre os 150 e os 200 mil euros", afirma. O empresário tem outros negócios no ramo imobiliário que lhe garantem a sobrevivência. "Há negócios que já não vão reabrir, pelo menos com as mesmas gerências", observa o empresário.

A AND aponta mais de 60% de falências no setor. "O Governo marginalizou-nos. Fomos sempre sensíveis com a causa do combate à covid, mas não fomos compensados", acrescenta Telmo Garcia.

RETOMA

Mudanças a partir de dia 1 devido a eleições

O primeiro-ministro deverá anunciar hoje o levantamento de um conjunto de restrições que vigoraram por causa da covid-19. "Estamos em vias de um momento de viragem", afirmou ontem António Costa, em Valongo. "Não porque a covid-19 desapareça, mas porque, graças à vacinação, pode considerar-se a pandemia controlada". Contudo, a decisão só terá efeitos a partir de 1 de outubro, para não condicionar as autárquicas de domingo. "Há condições sanitárias para avançarmos com confiança para a nova fase, mas não queremos qualquer acusação de eleitoralismo", disse um governante à Lusa.

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