Banco de Portugal

Dívida pública atinge recorde: 264,4 mil milhões de euros, cerca de 132% do PIB

Dívida pública atinge recorde: 264,4 mil milhões de euros, cerca de 132% do PIB

O endividamento público total sobe 3% face a maio de 2019 e é agora o equivalente a 132% do PIB, também um dos rácios mais pesados de que há registo.

A dívida pública que vale para o Pacto de Estabilidade atingiu, em maio, o valor mais alto de sempre, cerca de 264.379 milhões de euros, revelou esta quarta-feira o Banco de Portugal.

O endividamento público total na ótica do Tratado de Maastricht sobe assim quase 3% face a maio de 2019 e é agora o equivalente a 132% do produto interno bruto (PIB), assumindo o PIB nominal projetado pela Comissão Europeia. Ou seja, é também um dos rácios mais pesados de que há registo e está a apenas 0,9 pontos percentuais do recorde histórico anual alcançado em 2014 (132,9% do PIB), o último ano do programa de ajustamento da troika.

A situação do endividamento vai, quase de certeza, piorar já que todas as instituições que fazem previsões para a economia portuguesa apontam para rácios na ordem dos 134% ou 135% do PIB no final deste ano. No Orçamento do Estado retificativo (ou suplementar), o governo inscreveu uma previsão de 134,4% para este ano.

Este último valor é um máximo histórico e é assumido pela equipa de João Leão, mas outras entidades dizem que vai ser ainda maior. No início de junho, o Conselho das Finanças Públicas projetou um rácio de 133,1% do PIB e a OCDE já antecipa um peso de 135,9% para a dívida total.

Segundo o Banco de Portugal, "em maio de 2020, a dívida pública situou-se em 264,4 mil milhões de euros, aumentando 2,3 mil milhões de euros relativamente ao mês anterior".

"Para este aumento contribuíram essencialmente as emissões de títulos de 2,3 mil milhões de euros efetuadas em maio, principalmente as emissões de longo prazo". O mesmo que dizer emissões de Obrigações do Tesouro.

A almofada de liquidez pública também aumentou e assim deverá continuar no resto do ano. "Os ativos em depósitos das administrações públicas aumentaram 0,1 mil milhões de euros" e assim "a dívida pública líquida de depósitos aumentou 2,2 mil milhões de euros em relação ao mês anterior, totalizando 239,2 mil milhões de euros", revela o banco central ainda liderado por Carlos Costa, mas que, em princípio, vai passar a ser governado por Mário Centeno ainda este mês.