Economia

Para tudo é preciso saber; também para ser solidário

Para ajudar os outros não é precisa só vocação. É preciso saber fazer bem e, hoje, já há onde aprender tudo: desde a gerir uma entidade solidária até a ser um voluntário profissional.

Um voluntário oferece o seu tempo e o seu saber em prol dos mais vulneráveis. Mas não chega. "Dizer que basta boa vontade e bom coração é um paradigma caducado", diz Sónia Fernandes, fundadora da escola de voluntariado Pista Mágica, que reclama ser a primeira escola independente de outras organizações. É, antes, preciso saber como ajudar em benefício de todos, inclusive do voluntário. E, do lado da organização, é preciso saber como acolher e organizar este trabalho.

Sónia Fernandes tinha já uma larga experiência em voluntariado, dentro e fora de Portugal, quando criou a associação. Mas não uma associação como tantas outras. Queria ter, não lucros, mas excedentes que lhe permitam continuar a aumentar a atividade; e uma gestão empresarial, que assegure a estabilidade e prosperidade da escola. Por isso, em 2008 e com a ajuda de uma gestora, criou a Pista Mágica.

A organização ministra quatro cursos, promove vários workshops temáticos sobre contabilidade, fiscalidade ou legislação (por exemplo, os dirigentes são responsáveis civil e criminalmente pelas organizações), entre outros. Ainda, faz planeamento estratégico e ensina a criar organizações sem fins lucrativos (ONG).

"Diamante em bruto"

Com a receita das formações, Sónia Fernandes alimenta o trabalho de voluntariado, como o que leva a escolas do ensino básico. "Criar mentalidades é mais fácil do que mudá-las e as crianças são um alvo privilegiado", disse. Junto dos adultos, o trabalho é mais complicado. "O voluntariado ainda é encarado como algo menor", mas os voluntários são um "diamante em bruto", acredita: "são angariadores de fundos, os maiores embaixadores da organização e capazes de promover mudanças positivas".

Uma das mudanças mais necessárias é a de mentalidade. Sónia Fernandes quer desconstruir ideias feitas, como a de que só os pobres

precisam de ajuda. "Um idoso rico pode estar mais só do que um pobre. O importante é identificar os públicos mais vulneráveis e ajudá-los", diz.