Economia

Misericórdias tocam a vida de meio milhão de pessoas

Misericórdias tocam a vida de meio milhão de pessoas

Empregam 75 mil pessoas e ajudam a manter o emprego de outras tantas. Entre todas as valências, tocam, diariamente, a vida de meio milhão de pessoas. São as misericórdias.

Entre hospitais, creches, jardins de infância, lares, escolas e cantinas, acompanham meio milhão de vidas numa base diária. Quem o diz é Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, resumindo que "a grande maioria dos portugueses acaba por, um dia, passar por uma misericórdia".

Ao todo, são 398 espalhadas por todo o território e gerem 75 mil postos de trabalho. Salários "muito baixos", admitiu aquele responsável, mas "emprego sustentável, garantido", faz questão de salvaguardar. Lemos garante ainda que, ao contrário do que se assiste, "as misericórdias não despedem e de 2010 até 2013 foram sempre criando postos de trabalho".

De acordo com a Conta Satélite da Economia Social - apresentada pelo Instituto Nacional de Estatística, em abril de 2013 - as organizações do setor social (misericórdias, cooperativas, mutualidades, fundações, IPSS) representam em Portugal 5,5% do emprego remunerado e 2,8% do Valor Acrescentado Bruto nacional. E as misericórdias, reforça Manuel Lemos, "estão entre os primeiros três empregadores locais".

Benefícios colaterais

Criaram 75 mil postos de trabalho e ajudam a manter outros 75 mil. "Muitas misericórdias fazem a sua lavandaria fora, o mesmo com a cozinha, têm o serviço de limpeza concessionado, tudo numa base diária", explica.

Por outro lado, "há todo o comércio que vive muito por causa das misericórdias. Ao lado há uma farmácia, uma mercearia, enfim, uma série de lojas que, indiretamente, beneficiam desta presença, corrobora. "Somos os maiores agentes locais de desenvolvimento", resume.

No ano que passou, as misericórdias abriram creches, unidades para pessoas com deficiência e espaço nos cuidados continuados, com 70% das camas de toda a rede. "Houve um aumento de acordos com o Estado, o que significa afetar mais recursos humanos", garante. Mas, num ano de crise também houve danos e as valências mais afetadas foram as que muito dependem da comparticipação das famílias, como os lares. "As famílias têm muita dificuldade em pagar". Mas "não se pôs nenhum idoso na rua", salvaguarda.

As misericórdias fazem assim parte do mundo da economia social que, em Portugal, "representa 5,8% do Produto Interno Bruto". Diz Manuel Lemos que "poderá ser mais".

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