Economia

Universitários: fazer voluntariado para ter os pés na terra

Universitários: fazer voluntariado para ter os pés na terra

Alunos de uma das faculdades entre as mais bem cotadas no ranking das melhores escolas de Economia e Gestão, podiam ter optado por se dedicar apenas aos estudos e trabalhar para conseguirem as melhores notas e médias de curso.

Mas acreditam que a sua formação fica "mais completa" se dedicarem parte do seu tempo aos outros. E decidiram fazer do voluntariado a forma de se manterem em contacto com os problemas reais que, um dia, esperam ajudar a resolver quando forem economistas e gestores.

Maria Inês Lopes, 20 anos, aluna do 3.o ano de Gestão na Nova School of Business and Economics (NovaSBE), é um dos 300 voluntários que, este ano, participam no "Comunidade Nova", um programa de voluntariado organizado, criado há três anos e que tem vindo a crescer, envolvendo este ano 52 instituições. E já não se imagina sem o fazer, mesmo depois de acabar a faculdade. "Já faz parte da rotina. Se eu não for, parece que estou a fazer falta a alguém", diz a jovem que dedica três horas por semana à Ajuda de Berço, instituição que acolhe bebés.

O objetivo do programa, explica a coordenadora do Gabinete de Desenvolvimento do Aluno, Edite Oliveira - ela própria desde sempre voluntária em várias organizações -, é complementar a formação académica dos alunos "de forma mais pragmática e de-senvolvendo competências sociais".

"O que eu pretendo é que eles se desenvolvam como pessoas e criem vínculos sociais o mais precoces e fortes possível", disse, ao JN, explicando que o regulamento obriga a que os alunos deem pelo menos hora e meia por semana a uma causa, mas que muitos ultrapassam esse tempo, "chegando a dar quatro e cinco horas".

O programa, que inclui uma formação de oito horas e a assinatura de um compromisso de honra - não dá quaisquer créditos. "A única coisa que tem é o reconhecimento através de um certificado entregue no final da licenciatura, um diploma com menção de cidadania", diz a responsável, garantindo que as motivações dos alunos não passam por aí.

Embora reconheçam que o mercado de trabalho cada vez mais valoriza este tipo de experiências - e que podem fazer a diferença num processo de seleção -, os cinco voluntários com quem o JN falou garantem que as suas motivações são outras.

"Ajuda a que nos sintamos mais enobrecidos no dia-a--dia", diz Jerónimo Faustino, 21 anos, que decidiu acompanhar uma vez por semana uma idosa, agora a viver num lar. Magda Monteiro, 18 anos, assegura, duas vezes por semana, o Clube da Matemática da escola básica junto à faculdade e nunca pensou gostar tanto. Todos acreditam que estas experiências os vão fazer encarar o futuro de forma diferente.

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