BES

Cavaco nega que alguma vez tenha tranquilizado depositantes do BES

Cavaco nega que alguma vez tenha tranquilizado depositantes do BES

O presidente da República, Cavaco Silva, disse, esta sexta-feira, que não tenciona dar "mais esclarecimentos" sobre o BES, atendendo a que todas as audiências que dá são "reservadas".

O presidente da República não tenciona responder às perguntas que os partidos da Oposição lhe pretendem enviar, depois da carta revelada por Ricardo Salgado falando em duas reuniões com o chefe de Estado.

Em declarações aos jornalistas, esta sexta-feira, à margem de uma cerimónia em Alcântara, Cavaco Silva negou que alguma vez tenha feito declarações sobre o BES, tranquilizando depositantes e investidores, numa altura em que, segundo Ricardo Salgado, já teria sido duas vezes informado sobre as dificuldades do grupo e alertado para os "riscos sistémicos" que isso constituía.

"O presidente da República nunca fez nenhuma declaração sobre o BES. Eu sou talvez o único político em Portugal que tudo o que diz publicamente está no site da Presidência da República. Pode constatar que eu, na Coreia do Sul, não fiz nenhuma afirmação sobre o BES. Fiz três afirmações sobre o Banco de Portugal", disse, em resposta aos jornalistas.

Na altura, na primeira declaração que fez após a crise do BES, Cavaco declarou o seguinte: "O Banco de Portugal tem sido perentório e categórico a afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa". Esta sexta-feira, Cavaco lembrou que essa declaração está publicada no site da Presidência.

Questionado sobre se tenciona responder às perguntas que PS, PCP e BE anunciaram, quinta-feira, que lhe vão enviar, depois de ser ficado a saber que o Presidente teve duas, e não uma, reuniões com Ricardo Salgado sobre o tema BES, Cavaco foi taxativo: "O presidente da República não tem esclarecimentos adicionais a prestar". E reforçou o seu dever de reserva: "Quem fala com o presidente da República tem de ter a absoluta certeza de que aquilo que lhe conta ele não vai dizer a mais ninguém", disse.

Cavaco lembrou que teve "todas as audiências são reservadas, desde logo com o primeiro-ministro que é aquele que informa mais o presidente da República". Em relação às audiências com Salgado, que não negou, disse que "todas as audiências com o presidente da República são muito importantes. Ninguém pede uma audiência ao presidente da República se não considerar que o assunto é muito importante".

Questionado sobre se lhe foram entregues documentos, Cavaco foi evasivo e chutou para o Governo. "Não há quase ninguém que vá falar com o presidente da República que não me entregue documentos. Se alguém me entregou da parte dos bancos, como eu não tenho poder executivo, devo ter entregue a mesma coisa ao Governo", afirmou.

Cavaco lembrou que o presidente "não tem nenhuma competência executiva, não toma nenhuma decisão em relação ao sistema financeiro ou quaisquer outras áreas".

"Os senhores ainda não perceberam bem o que é a vida de um Presidente da República", sublinhou, revelando que, até este momento, já deu mais de 2500 audiências e sempre sobre assuntos "da maior importância". "Essa é apenas uma e continuará a ser assim", disse, procurando desvalorizar os dois encontros com Salgado.