Novo Banco

Clientes deixam agência do Novo Banco após intervenção da PSP

Clientes deixam agência do Novo Banco após intervenção da PSP

Os clientes que ocuparam uma agência do Novo Banco ao fim da manhã desta quinta-feira, em Coimbra, saíram da dependência pouco depois das 15.30 horas, após uma intervenção da PSP, que os convidou a sair, sob pena de incorrerem em violações à lei.

Terminou às 15.30 horas a ocupação pacífica de uma agência do Novo banco, perto da rua 8 de Maio, na baixa de Coimbra, por clientes lesados na compra de papel comercial do BES, ao fim da manhã, exigindo a devolução do dinheiro investido em papel comercial, subscrito aos balcões do Banco Espírito Santo (BES).

A ocupação durou quatro horas e terminou pouco depois da entrada da PSP nas instalações, às 15.20 horas. Bastaram 10 minutos e uma "conversa cordial" para convencer os cerca de 50 manifestantes que se mantinham dentro da agência após a hora do fecho.

"Foi tudo muito pacífico. A PSP disse-nos que tínhamos de deixar as instalações, caso contrário incorríamos em violações à lei", contou ao JN um dos manifestantes, Jorge Pires. "Somos cidadãos cumpridores, por isso deixamos as instalações", acrescentou.

No total, estariam cerca de 50 pessoas na agência quando a PSP entrou, pelas 15.20 horas. Outras tantas tinham deixado as instalações à hora de fecho, às 15 horas.

"Saímos para evitar complicações", disse José Montes, um dos lesados que optou por deixar a dependência do Novo Banco quando as portas se fechavam. A história é comum a tantos outros. Confiou as poupanças de uma vida, as próprias e as da mulher, a um gerente conhecido "há mais de 20 anos", a pensar que fazia um investimento seguro e perdeu tudo.

José e a mulher começaram a trabalhar aos 10 anos. Reformaram-se aos 66. O que amealharam, "o pé-de-meia para a velhice", esfumou-se no papel comercial do BES, contou ao JN.

PUB

São dois dos cerca de 100 lesados que se juntaram, em Coimbra, oriundos um pouco de todo o país, esta quinta-feira. O encontro estava aprazado para a sede do Banco de Portugal, mas acabou por acontecer numa dependência do Novo Banco, perto da Praça 8 de maio, na baixa coimbrã.

"Não vamos desistir nunca. Mesmo quem comprar o banco vai ter-nos à perna", disse José Ferreira, de Lamego, de 64 anos. Investiu em papel comercial do BES e diz ter "perdido as poupanças de uma vida".

José Ferreira, de megafone em punho, gritou palavras de ordem. Ao JN, contou que tem estado em todas as manifestações, à exceção da que ocorreu no Porto, na semana passada. Como outros.

Fernando Fernandes, de 69 anos, é do Porto e esteve na avenida dos Aliados, na semana passada. Esta quinta-feira foi a em Coimbra. "Estive em todas as manifestações, exceto na primeira", disse ao JN, prometendo marcar presença nos protestos "toda a vida".

Às palavras de ordem e às declarações aos jornalistas, os "lesados" do BES juntam cartazes de indignação. "Lesados na rua, a luta continua. Queremos o nosso dinheiro" e "Je Suis rácio, senhor Governador?" são dois exemplos do protesto escrito.

"Novo Banco: Entrei de mala cheia e saio de mala vazia", lia-se noutro cartaz exibido pelos manifestantes, que protestam em Coimbra no dia em que Ricardo de Seabra Rato Ângelo, presidente da Direção da Associação de Defesa dos Clientes Bancários Lesados, Investidores em Papel Comercial, e Luís Vieira, presidente da Direção da ABESD - Associação de Defesa dos Clientes Bancários, são ouvidos na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo.

A Associação dos Lesados e Indignados do Papel Comercial (AILPC) do BES disse na semana passada que vai "abrir um processo judicial contra o Banco de Portugal", que acusa de ter emitido um comunicado que não espelha o conteúdo da reunião de sexta-feira.

O Banco de Portugal emitiu um comunicado na sexta-feira, depois da reunião com a associação de clientes detentores de papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), em que reafirmou que o Novo Banco não tem de compensar os clientes que compraram papel comercial do GES nos balcões do BES, e que só pode avançar com uma solução se esta não afetar o seu equilíbrio financeiro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG