Economia

Ex-gestor da PT desmente Granadeiro

Ex-gestor da PT desmente Granadeiro

O ex-administrador financeiro da PT Portugal, Luís Pacheco de Melo, garantiu, esta quinta-feira, que Henrique Granadeiro validou e deu orientações para que fossem aplicados 750 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, contrariando as garantias que o ex-presidente da PT deu no Parlamento, onde apenas assumiu responsabilidade pela aplicação de 200 milhões de euros.

Luís Pacheco de Melo, ex-CFO da PT, que está, esta quinta-feira, a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES, disse aos deputados que, por indicação de Granadeiro, teve uma reunião com Ricardo Salgado a 28 de janeiro de 2014, onde o ex-presidente do BES lhe apresentou as "vantagens" de migrar as aplicações que a PT tinha na ESI para a Rioforte.

Na sequência dessa reunião, Pacheco de Melo garante que foi ao gabinete de Henrique Granadeiro, então presidente da PT, com quem teve uma "uma conversa bastante extensa sobre as virtudes ou não de mudar da ESI para a Rioforte", discutindo as justificações invocadas por Salgado.

"O que ficou acordado entre nós e a instrução, a decisão que foi tomada foi que, à medida que as aplicações existentes na ESI fossem vencendo - 750 milhões de euros à data - seriam convertidos em Rioforte", disse. O deputado do PSD que o inquiria, Jorge Paulo Oliveira, acusou a estupefação: "Henrique Granadeiro validou a transferência de 750 milhões?", perguntou-lhe. A resposta foi taxativa: "Sim".

O deputado respondeu que esta declaração contradiz o depoimento de Henrique Granadeiro, quarta-feira, na comissão de inquérito, onde assumiu apenas a responsabilidade pela aplicação de 200 milhões de euros, dizendo desconhecer os restantes montantes existentes nestas aplicações.

O ex-gestor da PT recusou comentar a contradição. "Estou aqui para dar a minha versão dos factos. Não vou opinar sobre a versão dos factos dos outros intervenientes. A minha versão dos factos é esta", disse, insistindo que a primeira vez que ouviu Henrique Granadeiro falar em 200 milhões de euros foi na sua carta de renúncia da PT, em agosto.

Pacheco de Melo disse também que Zeinal Bava "sempre teve conhecimento" das aplicações que a PT fazia no BES, mas garantiu que não falou sobre ele sobre as aplicações da Rioforte em fevereiro.

O administrador disse também estar "perfeitamente convicto" que a PT, os seus administradores e trabalhadores foram "enganados e defraudados pelo BES e pelos seus mais altos responsáveis". "Porque tínhamos uma relação de 13 anos de confiança, eram os nossos parceiros, era com eles que os nossos presidentes privavam quase diariamente. Nós não estávamos perante informação nenhuma que nos levasse a concluir em que estado estavam aquelas empresas", disse, corroborando as garantias dadas por Granadeiro.

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