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Granadeiro acusa BES de "infidelidade"

Granadeiro acusa BES de "infidelidade"

O ex-presidente executivo e chairman da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro, acusou esta quarta-feira o BES, designadamente o seu ex-CFO, Amílcar Morais Pires, de "infidelidade, omissão de informação e prestação de informação falsa e extemporânea". E estranha que, ao contrário do que tinha sido decidido, o BES e o Novo Banco não tenham sido ainda processados pela PT.

Na sua intervenção inicial, de cerca de 40 minutos, na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES, Henrique Granadeiro disse que foi por proposta de Ricardo Salgado e de Amílcar Morais Pires, respetivamente CEO e CFO do BES, que a PT decidiu investir quase 900 milhões de euros em papel comercial da Rioforte. E lembrou que as aplicações anteriores no grupo sempre foram liquidadas nas datas devidas.

"À data em que os investimentos são propostos pelo parceiro BES, não existia qualquer informação, ou indício ou suspeita no mercado de que existissem problemas em qualquer sociedade BES, nomeadamente na Rioforte", disse, na audição desta tarde na Assembleia da República. Granadeiro acusa Amílcar Morais Pires de ter "deliberadamente omitido informações à PT" e responsabilizou também Joaquim Goes, administrador da PT que era simultaneamente administrador do BES.

"Tinha de conhecer as implicações que tal investimento podia ter para a PT", disse, insistindo que "a decisão foi tão informada quanto poderia ter sido". Granadeiro assumiu pessoalmente a responsabilidade pelo investimento de 200 milhões na Rioforte em fevereiro de 2014, mas não em relação aos restantes 697 milhões.

"Fui eu próprio que autorizei", disse, admitindo que o fez com base na informação que lhe foi prestada pelo responsável financeiro da PT, Luís Pacheco de Melo (que é ouvido amanhã no Parlament) e pelo CFO BES do As aplicações foram decididas com base na informação que foi prestada, repetiu, lembrando que as contas da Rioforte só foram reveladas em junho.

Henrique Granadeiro demitiu-se do cargo de presidente-executivo da PT em agosto de 2014, depois de se saber do não reembolso das aplicações da empresa em papel comercial da PT na Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo.

Na carta de despedida, deu a entender que não tinha sido ele o único responsável pela decisão. "Convivo bem com os meus actos mas não com os encargos e responsabilidades dos outros", escreveu no documento.

Esta quarta-feira, no início da sua intervenção, lembrou que depois da saída de Zeinal Bava para a Oi, "o universo PT passou a funcionar com uma Comissão Executiva e dois presidentes, originalidade esta que pode ter sido a causa de equívocos e elevados prejuízos para os accionistas da PT".

Os dois presidentes eram ele e Zeinal Bava, que continuava a cumular o cargo de presidente do conselho de administração da PT Portugal.

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