Comissão de inquérito BES

Joaquim Goes realça que Banco de Portugal sempre considerou válida garantia de Angola

Joaquim Goes realça que Banco de Portugal sempre considerou válida garantia de Angola

O ex-administrador do BES Joaquim Goes destacou, esta segunda-feira, que o Banco de Portugal sempre considerou válida a garantia soberana concedida por Angola ao crédito de mais de três mil milhões de euros concedido pelo banco ao BES Angola.

"Desde o início, quando teve conhecimento da garantia soberana do Estado angolano, o Banco de Portugal, considerou-a válida", afirmou o responsável durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso Banco Espírito Santo (BES)/Grupo Espírito Santo (GES).

Joaquim Goes apontou para o parecer que foi pedido sobre a validade da garantia estatal angolana ao professor Alexandre Mota Pinto e ao esclarecimento solicitado em abril (de 2013) ao Ministério das Finanças de Angola.

"Foi um dado da maior relevância sobre a eficácia dessa garantia", sublinhou.

"No limite, penso que havia todas as condições para que se considerasse a garantia para efeitos de capital", assinalou Joaquim Goes.

E relatou: "Em termos cronológicos, aquilo que era do meu conhecimento e penso que da maior parte dos administradores do banco é que em outubro houve uma reunião em que foram reportadas pela primeira vez preocupações com o BESA".

Segundo o ex-administrador do BES, Ricardo Salgado e Morais Pires "foram ter uma conversa com o presidente angolano para encontrar uma situação que assegurasse a estabilidade do sistema financeiro angolano", tendo deste encontro resultado a garantia.

"Só no final de dezembro de 2013 é que tive conhecimento da existência dessa garantia. Foi Morais Pires que nos informou. Nessa altura não foi referido a dimensão do problema", frisou.