Economia

Maioria chumba pedidos de depoimento de Cavaco sobre o BES

Maioria chumba pedidos de depoimento de Cavaco sobre o BES

A maioria PSD/CDS-PP chumbou, esta quarta-feira, os três requerimentos do PS, PCP e BE que pretendiam pedir esclarecimentos por escrito ao presidente da República, Cavaco Silva, sobre os dois encontros que teve com Ricardo Salgado. Passos Coelho revelou que vai responder aos deputados.

Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD, acusou os partidos da oposição de estarem a querer "seguir a estratégia de defesa" de Ricardo Salgado, "que está a querer perturbar a boa realização deste inquérito parlamentar e até se calhar de outros inquéritos", disse, aludindo às investigações em curso pelo Ministério Público.

"O PSD não entende que o presidente da República deva prestar explicações nesta comissão de inquérito", lembrando que tal nunca aconteceu em 40 anos. Anunciou, contudo, a disponibilidade para o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho prestar declarações sobre o mesmo tema, no âmbito das competências de fiscalização do Parlamento.

Os autores dos requerimentos acusaram a maioria PSD/CDS-PP de estar a escudar no "refúgio da formalidade" para impedir que o Parlamento possa pedir esclarecimentos ao Presidente, que entendem que pode ter informação que ajude a esclarecer o que se passou.

A deputada do BE, Mariana Mortágua, lembrou que Cavaco "sentiu-se na confiança de dar um apoio público ao BES", quando já teria sido informado da situação difícil do grupo e dos riscos de contagio ao banco.

Pedro Nuno Santos, do PS, considerou "inadmissível" a acusação do PSD de que, ao apresentarem estes requerimentos, os partidos da Oposição estão a "fazer o jogo de Ricardo Salgado".

"A função desta Comissão de inquérito é apurar o que acontecer ao BES e ao GES. E não de apuramento das responsabilidades individuais de Ricardo Salgado", lembrou o deputado do PS, insistindo que em causa está avaliar não só o contributo da gestão para a derrocada do grupo mas também o papel do Governo, do regulador e das leis.

Miguel Tiago, do PCP, considerou que "era absolutamente fundamental saber quais eram os elementos que estavam à disposição dos órgãos de soberania", designadamente do presidente da República quando se pronunciou sobre o BES, e acusou o PSD e o CDS de estarem a criar um problema ao impedirem estes esclarecimentos por parte do chefe de Estado.

"Se há bloqueio, que assumam politicamente que estão a proteger determinado órgão de soberania mas não se refugiem na formalidade", disse, lembrando que a lei prevê que as comissões de inquérito podem convocar qualquer cidadão sobre os factos relativos ao inquérito.

Após o chumbo dos requerimentos, os trabalhos da comissão continuaram com a audição a João Moreira Rato, ex-administrador do Novo Banco.

Mais tarde, Pedro Passos Coelho afirmou que irá responder às questões dos deputados, ainda que considere não ter muito a dizer. "Não creio que tenha muito a acrescentar mas não deixarei de responder aos senhores deputados, evidentemente", respondeu Passos Coelho aos jornalistas, em Santa Maria da Feira.