Economia

Maioria das aplicações no GES tinham fim e início no mesmo dia

Maioria das aplicações no GES tinham fim e início no mesmo dia

A PricewaterhouseCoopers detetou que a maior parte das aplicações da PT em títulos do Grupo Espírito Santo iniciavam-se imediatamente após o fim de outras, na sua maioria no próprio dia.

De acordo com relatório da PricewaterhouseCoopers (PwC) sobre as aplicações de tesouraria no Grupo Espírito Santo por parte da PT, divulgado na quinta-feira à noite, a consultora "verificou que a maior parte das aplicações em títulos do GES analisadas, iniciava-se imediatamente após o término de outra aplicação - na maioria das vezes no próprio dia - com movimentos registados nos extratos bancários" do grupo de telecomunicações "a débito e a crédito no mesmo dia".

Este é um dos aspetos que a consultora considera "a ter em consideração".

A PwC adianta que "não pode excluir a possibilidade de a ESI/Rioforte poderem ter entrado em 'default' [incumprimento] em data anterior a julho de 2014, caso o capital das aplicações financeiras não tivesse sido objeto de 'rolagens' sucessivas".

De acordo com a informação obtida e a análise realizada pela consultora, "as aplicações financeiras efetuadas em títulos GES foram historicamente reembolsadas na maturidade e os juros pagos, até ao 'default' ocorrido em julho de 2014".

A Rioforte deveria ter reembolsado a PT SGPS em quase 900 milhões de euros em julho do ano passado.

Outro dos aspetos a ter em consideração, segundo a PwC, é o facto de a PT SGPS e o Banco Espírito Santo (BES) terem administradores comuns.

Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes eram administradores não executivos no Conselho de Administração da PT SGPS, nomeados em Assembleia Geral (AG) da operadora.

"Embora nomeados em nome individual, é do entendimento da PwC que a inclusão dos seus nomes na lista de administradores aprovada em AG da PT SGPS resultará da posição acionista que o BES detém na PT SGPS", refere.

"Contudo, estes também eram membros da comissão executiva do BES", já que Amílcar Morais Pires era administrador financeiro (CFO) do antigo banco e Joaquim Goes responsável pela gestão de risco.

"O BES desempenhou as funções de intermediário entre o grupo PT SGPS e o GES (ESI e Rioforte) por forma a que o grupo PT SGPS subscrevesse títulos no GES (parte relacionada do BES)", aponta a consultora.

Perante isto, "considerando as funções de intermediários pelos dois administradores referidos em ambos os Conselhos de Administração, importa referir eventuais conflitos de interesse existentes, designadamente no que diz respeito à subscrição de títulos GES pela PT SGPS".

A PwC "recomendou que o CA da PT SGPS efetuasse uma análise jurídica por forma a aferir se os referidos administradores deveriam ou não ter tido um comportamento mais proativo no CA da PT SGPS, designadamente no sentido de tornar claro e transparente o papel do BES na subscrição de títulos e em que medida os mesmos administradores deveriam ou não ter alertado" o CA e a comissão executiva da PT SGPS para o risco de solvabilidade da ESI/Rioforte, "caso tivessem tomado conhecimento das dificuldades financeiras destas entidades", o que não foi possível à consultora apurar.

"A PwC recomendou ainda que fosse feita a análise à eficácia dos sistemas/controlos em vigor no grupo PT na prevenção de situações de conflitos de interesses", adianta.

A PT SGPS anunciou a 07 de agosto do ano passado que tinha mandatado diretamente a PwC para analisar, de forma independente, os procedimentos e atos relativos a aplicações de tesouraria em entidades do universo GES até à data e realizar uma análise sobre todos os aspetos relevantes.

O relatório é divulgado após as buscas efetuadas pelas autoridades na sede da PT e nos escritórios da PwC e em vésperas da reunião magna de acionistas da empresa, agendada para segunda-feira, 12 de janeiro.

A Assembleia Geral de acionistas visa aprovar, ou não, a venda da PT Portugal, desde maio passado nas mãos da brasileira Oi, ao grupo francês Altice.