O caso BES

Passos recebeu lesados do BES em segredo

Passos recebeu lesados do BES em segredo

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, recebeu este sábado, em Barcelos, um grupo de nove minhotos - de Braga, Barcelos e Arcos de Valdevez - lesados pela compra de papel comercial do Grupo Espírito Santo.

Na reunião, Passos disse que a solução do problema passa por uma auditoria, feita por uma entidade externa ao Banco de Portugal e ao Novo Banco, para determinar quais os clientes que foram burlados pelo BES.

De acordo com o relato de um dos presentes, que solicitou o anonimato já que Passos Coelho lhes pediu que não comentassem o assunto com a Comunicação Social, o governante disse que tal auditoria permitiria separar os pequenos investidores - que compraram ações por deficiência de informação ou mesmo burla - dos grandes investidores, os chamados "institucionais", que tinham obrigação de conhecer o risco que corriam ao comprar papel comercial do GES.

Ouvindo calmamente a exposição que lhe foi feita pelos presentes - que contaram a forma como o BES lhes vendeu ações como se fossem depósitos a prazo -, Passos Coelho mostrou-se "preocupado e sensibilizado" para o problema, mas sempre vincando que o Governo não tem poder direto para dar ordens ao Banco de Portugal (BdP) e à CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Na ocasião, lamentou - depois de sublinhar que não manda em nenhum dos dois reguladores - que não tenha havido acordo entre BdP e CMVM, e esforçou-se por explicar que, se o processo não for conduzido com rigor jurídico, haverá o risco de o Novo Banco vir a pagar em tribunal muitas centenas de milhões de euros aos investidores institucionais.

"Ficámos contentes por nos ter recebido e percebemos que Passos Coelho tentará influenciar uma solução positiva para os pequenos investidores", afirmou um dos lesados, que não se coíbe de criticar o BdP por ter dito que havia uma solução e depois "ter recuado".

Passos Coelho esteve em Barcelos num encontro distrital do PSD fechado aos jornalistas. O mesmo sucedeu com a reunião com os lesados que o JN presenciou à distância. Na semana passada, a CMVM defendeu que é ao Novo Banco que compete ressarcir estes clientes. v

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