Comissão de inquérito BES

Rui Silveira diz que Banco de Portugal podia ter afastado Salgado

Rui Silveira diz que Banco de Portugal podia ter afastado Salgado

O ex-administrador executivo do BES Rui Silveira considerou, esta segunda-feira, que a discussão em torno da idoneidade de Ricardo Salgado é uma "falsa questão" e o Banco de Portugal podia ter afastado o banqueiro sem recurso a tal.

O banco central tem "poder soberano" para afastar a "qualquer momento" administradores e gestores sem recorrer à figura da idoneidade, sublinhou Rui Silveira na comissão parlamentar de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES).

"A minha resposta é que sim, o Banco de Portugal tem esse poder a qualquer momento", acrescentou ainda o antigo administrador executivo do BES.

Hoje é o último dia de trabalho do ano para a comissão parlamentar: além de Rui Silveira, ouvido esta tarde, de manhã esteve no parlamento Joaquim Goes, também outrora administrador executivo do banco.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito "apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades".

A 3 de agosto passado, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.