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"O Norte faz bem e tem a receita certa para o sucesso"

"O Norte faz bem e tem a receita certa para o sucesso"

O Norte está habilitado para a reindustrialização que urge fazer, concluiu Mira Amaral, durante a II Conferência JN "O Norte faz bem", que ontem reuniu empresários na Universidade Portucalense.

Flexibilidade, produção individualizada e pequenas séries em vestuário, confeções e calçado: é a receita para a reindustrialização do país, em que o Norte está particularmente bem colocado, segundo Mira Amaral, ex-ministro da Indústria e Energia e atual presidente da Comissão Executiva do BIC.

"Os setores agrícola, agro-industrial e industrial terão de ser responsáveis pelos bens transacionáveis que fazem falta a Portugal para exportar", apontou Mira Amaral, que enumerou, ainda, os setores prioritários: "Os exportadores tradicionais (cortiça, cerâmica, moldes, vidro, entre outros) sem esquecer o turismo, os setores domésticos (comércio, distribuição, engenharias e infraestruturas) e os emergentes (educação, saúde)".

E se há "muitos países asiáticos com o mesmo perfil industrial de Portugal", o antigo ministro social-democrata aponta que o Norte diferencia-se, por um lado, ao "manter instalações industriais" que não foram arrasadas pela "globalização, que chegou cá atrasada, como todas as outras coisas"; e, por outro lado, porque o "Norte tem o desenrascanço que os alemães não têm". Ou seja, aquilo que a globalização não previu - "A perda de capacidade para a conceção de novos produtos e em I&D quando a produção é deslocalizada", apontou Mira Amaral.

Os oradores da conferência JN declinaram versões de uma receita de sucesso com os mesmos denominadores comuns, como apontou Manuel Tavares, diretor do diário. "Parcerias e rede são as duas palavras-chave que aqui ouvi e que significam, tal como é política do JN, enquanto jornal e empresa, globalizar com os pés assentes na terra, sem perder proximidade, mas sem se ser paroquial".

É com esse espírito que empresas como a Bial, nascida no Porto, em 1924, consegue ser líder de mercado em dois dos dez medicamentos mais vendidos em Portugal e detém a valiosa patente mundial do novo antiepiléptico Zebinix. "Só podemos ser competitivos cá dentro e no estrangeiro graças a uma aposta muito grande na qualidade das pessoas", apontou o CEO António Portela.

A importância da investigação nas empresas mais resilientes é também notória na Primavera BSS, uma vez que, segundo o co-CEO, Jorge Baptista, a empresa, nascida em Braga, em 1993, investiu "em 2010, perto de 4 milhões de euros em inovação".

Portugal é reconhecido pelos "serviços e produtos da maior qualidade dentro da Unilabs", uma multinacional de origem suíça instalada no Norte de Portugal e a cujos destinos lusitanos preside Luís Menezes. No futuro, será criada no Norte uma Plataforma de Análises especiais para servir todo o grupo.

As empresas do Norte conseguem vingar no Mundo e algumas multinacionais também já descobriram o que ganham em instalar-se por cá, nomeadamente pela qualidade dos recursos humanos disponíveis. A crise que se abateu sobre o país nem sequer era evitável, segundo Mira Amaral. "Se não fosse pela globalização ou pela crise financeira de 2008, que acelerou a situação, já era de prever os riscos da entrada de Portugal no euro. As âncoras cambiais são úteis para controlar a inflação e dar credibilidade, mas leva os políticos a endividarem-nos alegremente", apontou. Mira Amaral recomendou ainda "cortes mais ousados na despesa" para minorar a recessão e permitir o crescimento da economia. v