Os últimos 10 anos no Norte em números

Norte reforça exportações mas precisa de investimento

Norte reforça exportações mas precisa de investimento

Região responde por quase 40% das exportações do país, mas tendência pode ser travada por falta de dimensão, investimento e inovação

Na última década, o Norte reforçou a sua posição como região mais exportadora do país, mas continua atrás da média nacional no que toca à proporção dos bens de alta tecnologia no total exportado e aos salários dos trabalhadores, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Com o Alentejo e o Centro perfaz o trio das regiões cuja balança comercial é positiva, ou seja, que exportam mais do que importam - apesar de serem estas as três regiões mais pobres do continente.

Com um terço da população nacional, o Norte tem reforçado a sua posição com a mais exportadora região do país. Em 2015, foi responsável por 39% das vendas em mercados internacionais, o que compara com quase 31% da região de Lisboa, a segunda maior. E os dados estatísticos são enviesados pela forma como os dados são contabilizados, ressalva Pedro Ramos, professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. É que tanto as importações quanto as exportações são contabilizadas na região onde a empresa está sediada e não no local onde os bens são produzidos, alerta.

Em todo o caso, a estatística diz que os têxteis compõem a maior fatia das exportações da região. Somando as máquinas e aparelhos elétricos, o material de transporte e plásticos e borrachas obtém-se metade das vendas ao exterior.

Têm crescido, em valor, mas Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec, alerta para os riscos de esta tendência se inverter. "Desde 2007, em diferentes mercados e diferentes momentos, os empresários viraram-se para fora, mas estão a esgotar essa capacidade de crescimento. Ou conseguimos atrair investimento e inovação ou poderemos não ser capazes de manter a tendência da última década", afirmou. E só empresas médias ou de grande dimensão conseguem gerar dinheiro suficiente para investir e inovar. É por isso que apela às empresas portuguesas para que cresçam. "Para manterem a competitividade, as empresas têm de investir e as PME não têm recursos suficientes", adiantou Jorge Portugal.

Em alternativa, é preciso captar mais investimento estrangeiro, cuja importância para a economia da região é patente na lista das cinco maiores exportadoras: Continental Mabor, Bosch e Enercom são de capital alemão, a Faurecia é francesa e a SN Maia, Siderurgia Nacional é espanhola.

Mário Rui Silva, professor na Faculdade de Economia do Porto, também encontra riscos na dinâmica exportadora. "O investimento empresarial e a capacidade exportadora estão ligados" e a quebra no investimento registada nos últimos anos envelheceu o parque industrial e "não deixa antever que as exportações continuem a aumentar", receia. Pede, por isso, às autoridades "um discurso mais assertivo e mobilizador" e "mais estabilidade", por exemplo, na política fiscal. v

Taxa de cobertura

l Portugal tem melhorado a taxa de cobertura das importações pelas exportações, mas continua negativa. Norte, Centro e Alentejo exportam mais do que compram lá fora, mas Lisboa arrasta a média nacional para baixo. Dentro do Norte, é nas antigas regiões do Tâmega, em torno de Amarante, e de Entre o Douro e Vouga (Oliveira de Azeméis, Feira, São João da Madeira ou Vale de Cambra) que a balança é mais positiva. Grande Porto e Douro são deficitários.

Local da sede é fulcral

Os números regionalizados do Instituto Nacional de Estatística não refletem toda a realidade. É que o valor das importações e exportações é contabilizado na região onde está localizada a sede da empresa envolvida na transação internacional. É por exemplo o caso da Galp. As refinarias estão no Norte (Matosinhos) e Alentejo (Sines), mas a sede é em Lisboa. Por isso, toda a importação de petróleo e exportação de gasolina ou outros derivados do petróleo é contabilizada na capital.

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