Os últimos 10 anos no Norte em números

"Precisamos de estratégia"

"Precisamos de estratégia"

O Norte precisa de ter uma estratégia de diálogo entre os vários agentes, defende o presidente da CCDR--N, Fernando Freire de Sousa, referindo que as instituições "estão de costas voltadas". Sustenta que também é preciso aliar competitividade e coesão, para combater as assimetrias entre o litoral e o interior.

De que estímulos precisa o Norte para se refazer da crise e tornar-se mais competitivo?

Os trabalhos que a Comissão de Coordenação apresentou evidenciam que o Norte está de algum modo a dar algumas respostas acima da média do país em relação a essa saída da crise, seja do ponto de vista da criação de emprego, da dinâmica do crescimento ou da dinâmica exportadora. Em termos relativos, até estamos melhor do que a média. Em termos absolutos, é evidente que podemos fazer melhor e é evidente que fazemos ainda muita coisa mal.

Referiu que cinco quadros comunitários depois, o Norte continua a ser uma das regiões mais pobres do país. O que falha?

Acho que precisamos verdadeiramente de estratégia. Temos muitos meios ao nosso dispor, mas não dialogamos suficientemente em termos dos vários agentes envolvidos. Nós temos aquilo a que eu chamaria uma debilidade institucional, seja ela a nível político, da administração, da gestão de empresas, das instituições de ciência... A todos os níveis. Quando vamos um pouco mais fundo, percebemos que todos estão de costas voltadas. Cada um puxa para o seu lado e nenhum puxa para um caminho único.

Existem vincadas assimetrias no Norte, com o litoral a atrair mais investimento e população. Como se esbatem estas diferenças e se leva mais gente para o interior?

Quando falamos de Região Norte falamos de uma média, que neste caso é a média de 86 municípios. As regiões do interior perderam população e têm de ter tratamentos discriminatórios pela positiva. Mas tem de ser escolhido onde esses tratamentos devem vigorar. Provavelmente, eles não devem tanto ser virados paras questões que têm a ver com a dinâmica do investimento empresarial, mas devem ter a ver com outras dinâmicas de investimento que é preciso promover para conseguir o verdadeiro ovo de Colombo, que é um casamento virtuoso entre a competitividade e a coesão.

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