Os últimos 10 anos no Norte em números

Região Norte soube construir verdadeiro complexo tecnológico

Região Norte soube construir verdadeiro complexo tecnológico

Apesar das dificuldades, o Norte soma várias vantagens competitivas, como a capacidade em áreas científicas e tecnológicas

"Cinco quadros comunitários de apoio depois, o facto é que a Região Norte é das regiões mais pobres do país" e urge encontrar uma resposta para essa realidade, lembrou, ontem, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Fernando Freire de Sousa, na terceira e última conferência do ciclo Encontros Norte Conjuntura, promovido pela instituição e que decorreu no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, em Matosinhos, sob tema Norte & Economia.

Apesar dessa circunstância, o Norte é, ainda assim, a região que mais exporta - cerca de 40% da capacidade exportadora -, tendo também registado um crescimento similar ao resto do país. "Se olharmos para os últimos 15 anos da evolução do desenvolvimento territorial em Portugal, verificamos que os dados disponíveis entre 2000 e 2014 mostram uma similitude entre o que se passou a nível nacional e a nível da região Norte. A nível nacional, o que verificamos é que quase todas as regiões NUT II, à exceção da Área Metropolitana de Lisboa, ou seja, da região com maior nível de desenvolvimento, tiveram convergência positiva. Tiveram um ritmo de crescimento superior à média nacional. Só Lisboa é que ficou com um ritmo de crescimento abaixo da média nacional, o que quer dizer que, apesar de tudo, Portugal ficou menos desigual nos últimos 15 anos", explicou o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão.

Nelson de Souza sublinhou ainda que "na Região Norte também todas as NUT III tiveram convergência positiva face à média do PIB per capita da região, à exceção da Área Metropolitana do Porto, que, apesar de ter um PIB per capita superior ao da região Norte, não teve convergência positiva. Ou, se teve, foi muito fraca".

"A região Norte pontua bem em termos da evolução nos últimos 15 anos", para o que concorreram as "vantagens que a região apresenta em matéria de competitividade", destacou o governante. E enumerou: "em primeiro lugar, dispõe de uma população jovem e atualmente com níveis de qualificação crescentemente elevados", "tem um nível de taxa de emprego elevada" e "uma base industrial transacionável com vocação exportadora acentuada - encontra-se localizada nesta região o grosso da capacidade exportadora de Portugal".

"Se estivéssemos num país da antiga economia do Leste, empregaria a expressão de que o Norte soube construir um verdadeiro complexo tecnológico durante os últimos 15 a 20 anos. Dispomos em diversas áreas, científicas e tecnológicas, de capacidades impares", destacou. Uma realidade que foi também realçada pelo reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, que alertou ainda para a necessidade de haver "cooperação regional".

Segundo o secretário de Estado do Desenvolvimento, "a Região Norte tem tido uma excelente capacidade de absorção e utilização de fundos estruturais. Grosso modo, estruturalmente absorve perto de 40% dos fundos estruturais alocados a Portugal". "Fica aqui, portanto, o exercício de perceber o porquê de, havendo este conjunto de vantagens competitivas - que todas as análises apontam como vantagens competitivas críticas para o desenvolvimento do território -, não se conseguir traduzir isso em vantagens e resultados mais percetíveis e de melhor expressão", afirmou Nelson de Souza, referindo ser necessário "obter resultados que se traduzam em postos de trabalho, crescimento, estabilidade, condições de qualidade de vida e capacidade de crescimento. É este o desafio".

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