Os últimos 10 anos no Norte em números

Região Norte está mais coesa

Região Norte está mais coesa

A quebra do crescimento económico da Área Metropolitana do Porto está a aproximá-la dos restantes territórios da Região Norte, menos desenvolvidos e de menor densidade.

"A Área Metropolitana do Porto está mais pobre do que aquilo que estava há uns anos e está mais próxima das outras regiões, pelas piores razões", afirmou Rui Monteiro, representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), que promoveu ontem, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, a segunda conferência do ciclo "Encontros Norte Conjuntura", dedicado ao "Norte & Território".

Segundo Rui Monteiro, esta situação explica-se pelo facto da Área Metropolitana do Porto "ser a região que capta mais pessoas, o que leva a que o produto interno bruto diminua ainda mais". O especialista em desenvolvimento regional ressalvou que "é normal que a região mais dinâmica sofra mais que as outras regiões menos dinâmicas". Apesar dos fracos resultados da região, Rui Monteiro considera que os territórios do interior estão a impulsionar a Região Norte. "Todas as NUT III da região, com exceção da Área Metropolitana do Porto, estão a crescer, ainda que não seja de forma robusta", sustentou o responsável da CCDR-N.

A coesão do território foi o tema do debate que juntou autarcas, universidades e empresários. A investigadora da Universidade do Porto, Teresa Sá Marques, foi uma das vozes que defenderam a necessidade de a região ter "uma metrópole forte" e disse que é preciso colocar de lado a discussão de "quem recebe mais e quem recebe menos". "O que temos de fazer é pensar naquilo que podemos fazer melhor e em conjunto", sublinhou.

A investigadora frisou que a região ainda é "pouco qualificada", uma opinião partilhada pelo vice--presidente da CCDR-N, Ricardo Magalhães, que defendeu a necessidade de fixar mais recursos humanos qualificados no território e envolver os parceiros locais. "Ninguém se desenvolve por correspondência", afirmou.

Já o membro do Conselho Geral da UTAD, Bianchi de Aguiar, acredita que "a qualificação cresceu substancialmente na Região do Douro" e sublinha que "há um interesse crescente da nova geração em fixar-se na Região". A perda e o envelhecimento da população são, segundo a autarca de Alfandega da Fé, Berta Nunes, os maiores obstáculos ao desenvolvimento das áreas rurais. "Não podemos pensar o território e o futuro se não pensarmos na ligação entre a urbanidade e a ruralidade. Não há cidades sem esta ligação às zonas rurais", sustentou a autarca, que reclama mais atenção para os territórios rurais.

Ricardo Magalhães acredita que é possível inverter esta situação nos territórios de baixa densidade, através do esforço conjunto de todos os parceiros. "Até há bem pouco tempo, a CCDR-N estava sozinha no "palco" do desenvolvimento regional. Agora há outros "atores" e o que falta é um "diretor de cena" para orientar todo este processo", rematou.

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