Os últimos 10 anos no Norte em números

Têxtil e calçado disparam exportações

Têxtil e calçado disparam exportações

Na última década, a indústria de calçado aumentou as exportações em 700 milhões de euros e já vende além-fronteiras quase toda a produção. O têxtil e o vestuário bateram no fundo em 2009 e, daí em diante, começaram a recuperar.

Ambos estão a aumentar o número de trabalhadores e ajudam a diminuir o défice da balança comercial portuguesa. São exemplos de como o tecido empresarial da região Norte se tem comportado na última década.

No setor têxtil, tudo indica que este ano conseguirá exportar cinco mil milhões de euros, renovando o recorde do início do milénio, mas com muito menos empresas e trabalhadores do que no passado - ou seja, com mais produtividade e melhores preços. No seu conjunto, aliás, o setor ainda paga salários baixos, mas está a afastar-se da regra do salário mínimo, como pode ler na próxima página.

Está também a contratar pessoal, tal como o setor do calçado. Aliás, a descida do emprego e o aumento do desemprego são destacados por Luís Braga da Cruz, presidente da Fundação de Serralves, como um sinal positivo. "Assistimos a alguma reanimação económica", afirmou.

A recuperação dos chamados setores tradicionais deu-se "ano após ano", com investimentos em automação, capacidade produtiva, design, marcas, qualidade ou em serviços avançados, elenca Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec. A maior parte das empresas sem condições para sobreviver já fecharam. "As que existe hoje adaptaram-se, modernizaram a gestão. Agora têm de ganhar dimensão para libertarem meios e poderem investir", diz.

"No global, a fase das falências acabou", entende Mário Rui Silva, professor na Faculdade de Economia do Porto, que subscreve a ideia de que as sobreviventes têm "uma base forte, com orientação exportadora e foco em segmentos nobres, qualidade, pequenas séries, marketing e prestação de serviços avançados". Alem disso, diz o professor, Portugal tem uma vantagem face a outros países europeus: o facto de ter uma base produtiva forte permite-lhe desenvolver inovações tecnológicas.

Contudo, Mário Rui Silva e Jorge Portugal alertam para a importância de ter dimensão e massa crítica suficientes para sustentar a atividade e para a necessidade de continuar a investir em marketing, logística, design e inovação.

Os representantes do têxtil e do calçado asseguram que, hoje, os setores estão muito longe da realidade de há uma década.

Para a "metamorfose" do setor do calçado, nas palavras de Fortunato Frederico, presidente da associação do setor, foi fundamental o investimento em investigação e desenvolvimento e nos mercados externos (ler página seguinte).

Também o têxtil e o calçado evoluíram. Paulo Vaz, diretor geral da Associação Têxtil de Portugal, afirma que "o setor deixou de ser de subcontratação barata (as marcas traziam tudo: design, tecidos e até as linhas e só compravam minutos de trabalho) e passou fornecer soluções completas, desde o design e a produção até à logística, com a entrega das coleções nas lojas".

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