Os últimos 10 anos no Norte em números

Mais jovem e sem trabalho

Mais jovem e sem trabalho

Cláudia Monteiro tem 23 anos e nunca trabalhou. Não por vontade própria, mas porque não conseguiu encontrar emprego.

"Estava no 11.º ano quando desisti da escola. O curso profissional que estava a frequentar não me agradava", explica. Cláudia tinha, então, 19 anos e a intenção de ingressar no mercado do trabalho. Mas a expectativa depressa se gorou. "Quando saí da escola fui logo à procura de trabalho, mas nunca consegui colocação. O facto de só ter o 9.º ano de escolaridade completo é a principal dificuldade", refere. Assim, não lhe resta outra solução que não a de continuar a viver na casa dos pais. "Não tenho qualquer rendimento. Gostava de casar, mas na atual situação é impossível", alega, dizendo que "emigrar é uma forte possibilidade".

O caso de Cláudia Monteiro é semelhante ao de muitos jovens adultos residentes em Cinfães, concelho onde vive e que tem uma taxa de desemprego de 20%, a mais alta do Tâmega e Sousa. Com quase 500 mil habitantes, esta região tem uma população jovem (a idade média é de 38,5 anos, uma das baixas do país), mas também conta com um baixo poder de compra, pessoas pouco qualificadas e uma taxa de desemprego a rondar os 14%.

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Entre os mais de 28 mil desempregados indicados pelos Censos de 2011 está também Marta Pinto. Aos 29 anos, apenas conseguiu "trabalhos esporádicos" sobretudo em hipermercados. "Quando chegou o fim do contrato a prazo, vim sempre embora", descreve.

Desempregada desde julho, esta jovem de Penafiel com o 12.º ano de escolaridade mantém a "esperança" num futuro melhor, mas confirma que a "situação instável" que vive a obriga a adiar a concretização dos seus projetos de vida. "Gostava muito de construir uma casa. Mas o meu marido esteve desempregado no último ano e meio e eu continuo sem emprego", lamenta.

Os problemas de Cláudia e Marta estão, há muito, identificados pelas instituições do Tâmega e Sousa. A região está emparedada entre um litoral industrializado e um interior despovoado e tem sido, segundo o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal local, Alírio Costa, "um pouco esquecido" pelos poderes públicos.

"É um território de transição, uma zona cinzenta e só se percebem os problemas quando se olha para os indicadores", frisa. "Tem sido implementado um conjunto de dinâmicas, sobretudo ligadas ao empreendedorismo, para que os jovens olhem para a região como uma oportunidade. Há envelopes financeiros para apoiar, por exemplo, quem crie o seu emprego", realça. Falta ainda que essas dinâmicas tenham reflexo no dia a dia de quem lá vive.

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