Os últimos 10 anos no Norte em números

Norte recupera riqueza mas é desigual no poder de compra

Norte recupera riqueza mas é desigual no poder de compra

A zona mais rica do Norte - a Área Metropolitana do Porto - é também a que mais tem perdido poder de compra. A cintura industrial tem tido melhor comportamento.

No espaço de uma década, a Região Norte conseguiu recuperar alguma da distância que separa o seu nível de riqueza do da média europeia. Os habitantes também diminuíram parte da distância que separa o poder de compra das famílias do do resto do país. Mas entre as sub-regiões do Norte, a evolução foi muito diferente: a cintura industrial ganha bastante, o outro lado do Marão avança, mas a Área Metropolitana do Porto, com a cidade à cabeça, tem puxado a região para baixo.

No que toca ao poder de compra, o Instituto Nacional de Estatística mostra que os portuenses continuam a liderar a região e a ocupar o terceiro lugar no país, só atrás de Lisboa e Oeiras. Mas entre 2004 e 2013, a queda foi abrupta: foi o município que mais poder de compra perdeu, no Norte. O desemprego e perda de população ajudam a explicar a quebra do Porto e alguns concelhos limítrofes, considera Lívia Madureira, professora na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Francisco Carballo-Cruz, presidente da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional, concorda que "a perda demográfica é a grande razão", em particular a que tem maior poder de compra. "As famílias com rendimentos mais baixos por norma vivem em casas de renda congelada ou em bairros sociais", justifica.

João Cerejeira, docente na Universidade do Minho, acrescenta o modelo de especialização das regiões. "A crise de 2008 incidiu mais nos bens não transacionáveis, nos serviços, na Administração Pública e na construção". Ou seja, diz, atingiu sobretudo Lisboa e o Porto. Agora, e por oposição, acredita Elísio Brandão, da Universidade do Porto, o turismo ganha músculo e ajudará a cidade a "atenuar a tendência para definhar" que vinha a ser seguida.

Em claro contraste com o Porto estão as regiões industrializadas, as que mais aumentaram o poder de compra face à média do Norte. As razões são, também, consensuais. "São mais resilientes", imunes à crise que grassa em Portugal, resume João Cerejeira.

Mais difícil de explicar é a subida do poder de compra em Trás-os-Montes e Douro. "Talvez sejam as transferências: as câmaras são grandes empregadoras e vivem muito do Orçamento do Estado", admite Carballo-Cruz. João Cerejeira aponta para a agricultura, mas acredita que a reconversão não tem criado emprego. "Só com políticas muito fortes será possível travar o despovoamento e envelhecimento", diz.

Fora dos centros urbanos, Lívia Madureira admite que o menor desemprego e a criação de apoios sociais como o complemento solidário de idosos tenham ajudado à subida do poder de compra. Mas não o suficiente para se elevarem a níveis semelhantes aos dos centros urbanos. "As pensões de reforma continuam abaixo da linha de pobreza", lembra.

Mais salários só com mais empresas, acrescenta Carballo-Cruz, que vê como positiva "a pulverização do investimento no território".

Pormenores sobre a evolução da riqueza

Sernancelhe lidera subida

Entre 2004 e 2013, diz o Instituto Nacional de Estatística, o município do Norte que mais viu subir o poder de compra dos seus cidadãos foi Sernancelhe. É certo que partiu de um valor muito baixo - em 2004, o seu poder de compra correspondia a 50% da média da região -, mas em 2013 tinha subido para 66%. Ainda assim, continua a ser um dos municípios mais pobres. Abaixo só tem Vinhais, Ribeira de Pena, Baião, Resende, Celorico de Basto, Tabuaço e, em último lugar, Cinfães.

Porto e S. João Madeira

Apesar da forte queda desde 2004, o Porto continua a ser o município com maior poder de compra de todo o Norte: tinha 184% da média, em 2013. Em segundo lugar vem São João da Madeira, com 141%, seguidos de Matosinhos 131%) e Maia (121%).

Só 12 acima da média

Em 2013, apenas 12 municípios tinham um poder de compra acima da média da Região Norte. Além dos já citados, são Braga, Vila Real, Espinho, Gaia, Bragança, Vila do Conde, Viana do Castelo e Póvoa de Varzim. Note-se que, além de municípios da Área Metropolitana do Porto, só as sedes de distrito figuram na lista.

Riqueza recupera no Norte

O PIB per capital indica a riqueza criada por cada uma das pessoas que vivem numa dada região. Entre 2004 e 2014, indicam cálculos da CCDR-N, o Norte conseguiu melhorar o seu nível de riqueza quando comparado com a média da União Europeia, em 8%, sobretudo nos primeiros anos. Desde 2009 que os números estão estagnados, em torno dos 65% da média comunitária.

E cai na Área de Lisboa

Movimento oposto teve a Área Metropolitana de Lisboa. A riqueza criada por pessoa subiu até ao início da austeridade, deixando o Norte a uma distância ainda maior, mas teve uma forte quebra a partir de 2010. Hoje, está pior do que em 2004.

Investimentos feitos pelo ON.2 Novo Norte, entre 2007 e 2013

- 330 novos negócios foram criados após financiamento por parte do anterior quadro comunitário, o ON.2 Novo Norte, que vigorou entre 2007 e 2013. O sistema de incentivos às empresas recebeu 570 milhões de euros.
- 5 mil postos de trabalho foram criados a partir do programa gerido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

- 70 núcleos urbanos foram reabilitados com dinheiro comunitário. No total, foram aplicados 271 milhões de euros em parcerias para a regeneração urbana.

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