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Os últimos 10 anos no Norte em números

"O nosso maior constrangimento são os acessos"

"O nosso maior constrangimento são os acessos"

Pedro Carreira lidera uma empresa que exporta 98% da produção e está a investir mais de 60 milhões de euros

A maior exportadora do Norte está a ampliar instalações para reforçar a produção e o emprego, que se somará aos atuais 1811 trabalhadores. Numa entrevista dada por escrito, o diretor-geral da Continental Mabor, Pedro Carreira, louva a quantidade e qualidade dos recursos que encontra na região e lamentou que a construção de um acesso alternativo à EN 14, prometida há 20 anos, não saia do papel. Este ano, à semelhança de 2015, espera faturar 821 milhões de euros e lucrar 244 milhões.

A Continental Mabor previa investir, este ano e no próximo, 61,2 milhões de euros numa nova fábrica. Como está a correr?

O edifício do projeto LousAgro está concluído. Estamos agora na fase de instalação do equipamento. Os pneus que estavam numa parte desse edifício já foram transferidos para o armazém de pneus externo, que também foi objeto de ampliação e já está concluído.

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Quando estiver pronta, empregará mais cerca de cem pessoas. Qual é o perfil dos trabalhadores que procura e que tipo de condições oferece?

O perfil e a qualificação são os mesmos que temos exigido para a unidade de pneus para viaturas de passageiros e comerciais ligeiros. Para operadores de produção, o nível educacional mínimo é o 12º ano , mas também estamos a recrutar pessoas com uma licenciatura, pós-graduação ou mestrado.

É a maior exportadora da região Norte. Que fatores contribuíram para alcançar essa posição?

Continuamos a apostar na exportação já que o mercado nacional é pequeno para o nosso volume de produção. Mas, desde sempre, o objetivo foi colocar os pneus nos mercados externos. Naturalmente, com os projetos de expansão que temos vindo a realizar, os investimentos - no aumento da capacidade e na produção de produtos de alta tecnologia - acabam por se refletir no nosso volume de exportação. As nossas vendas para Portugal são pouco mais de 2% da produção.

Quais os maiores constrangimentos ao crescimento da empresa?

Continuam a ser os acessos. Mesmo correndo o risco de nos repetirmos, o estrangulamento que se verificam nas nossas estradas são um entrave ao crescimento e desenvolvimento de todas as empresas da região. No nosso caso, podemos ainda referir a dificuldade dos camiões na EN 14 e, ainda, as limitações que temos pelo facto de, nas nossas proximidades, termos algumas habitações construídas muito perto da nossa unidade industrial.

O que diz o Governo sobre o avanço da requalificação da EN 14?

A realização de uma alternativa à EN 14 passa pela construção de uma infraestrutura que existe como intenção há mais de 20 anos. Esta infraestrutura iria melhorar em muito a vida das populações da região e de todos quantos trabalham nas muitas empresas do Norte. As visitas dos responsáveis do Governo que temos vindo a receber, infelizmente, não trazem consigo as infraestruturas.

Encontra na região Norte algumas características especificas, positivas e/ou negativas, ausentes do resto do país ou da Galiza?

Positivas são as pessoas. As gentes do Norte são, efetivamente, pessoas habituadas a trabalhar e querem trabalhar. Também temos no Norte excelentes escolas e universidades, que apostam em programas inovadores. Por isso, cada vez mais novas empresas se tem vindo a instalar-se no Norte utilizando os recursos, que aqui existem em quantidade mas, acima de tudo, em qualidade.

Portugal tem feito esforços ativos para captar investimento direto estrangeiro. O que ganha o Norte por acolher a Continental Mabor?

O ganho pode ser constatado pelo desenvolvimento, a todos os níveis, das cidades de Braga ou Famalicão, que evoluíram muito nos últimos anos. Uma empresa traz consigo emprego direto, numa primeira fase, mas numa segunda fase, o indireto, muitas vezes tão importante como o primeiro, através de empresas que prestam serviços a essa unidade. Nós temos vindo a desenvolver fornecedores que, depois, se têm tornado exportadores - isto é, indiretamente, cria-se riqueza pelo facto de a primeira empresa se ter estabelecido. Ao longo dos anos, a nossa empresa tem sido a base da economia de muitas famílias e do comércio da região. Por isso consideramos os nossos contributos muito importantes para as finanças locais, para as finanças do país, através dos impostos que são pagos. Tudo somado, é um importante contributo para o PIB do país.

Que ligação tem com o sistema universitário e científico?

Temos protocolos com universidades em Famalicão, Braga e Porto. Registamos com muito agrado a aproximação cada vez maior do ensino técnico e superior às empresas

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