Os últimos 10 anos no Norte em números

População tem saído das zonas rurais, para o litoral ou o estrangeiro

População tem saído das zonas rurais, para o litoral ou o estrangeiro

No espaço de uma década, o Norte manteve o número de habitantes, tornou-se um pouco mais urbanizado e bastante mais velho.

É já senso comum dizer que o interior se vai despovoando e o litoral sobrecarregando de gente, mas uma análise mais fina dos dados mostra que, apesar de quase todas as regiões terem perdido população (em benefício da grande área urbana em torno do Porto e de Braga), ao mesmo tempo quase todas viram as suas cidades ou vilas crescer. É o mundo rural a drenar gente para as zonas urbanas, o que poderá representar uma nova oportunidade de desenvolvimento para áreas que têm sido condenadas pelo discurso público a uma morte mais ou menos lenta.

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Temos assistido a uma "reorganização sub-regional", na expressão de Dulce Pimentel, professora de Geografia e Planeamento Regional da Nova de Lisboa. O movimento é transversal à região. Em muitos casos, entre os Censos de 2001 e de 2011, o município perdeu habitantes, mas as suas zonas urbanas ganharam músculo - o que o geógrafo humano João Ferrão vê como um sinal positivo, como poderá ler na entrevista a publicar amanhã.

A importância dinamizadora das vilas e cidades médias do Norte é também salientada por Dulce Pimentel, até porque muitos povoados irão, simplesmente, desaparecer. O movimento "parece irreversível", face à incapacidade do país para se repovoar, garante.

Este movimento é sentido em particular no Norte. Paula Remoaldo, professora no departamento de geografia da Universidade do Minho, lembra que "foi sempre a região que ajudou a população do país a crescer e o facto de os censos de 2011 mostrarem o contrário foi uma surpresa".

Entre o litoral industrializado e o interior despovoado, as professoras identificam uma outra região, "muito delicada", diz Dulce Pimentel. Engloba concelhos como Paredes, Paços de Ferreira, Marco de Canaveses, entre outros, cuja população "é dinâmica, muito jovem, mas com baixas qualificações" e que deveria receber uma atenção muito particular dos fundos europeus do Portugal 2020. "A desesperança entre os mais jovens é perigosa", alerta.

Envelhecimento é ameaça

Um dos impactos da falta de confiança sente-se na taxa de fecundidade. As mulheres têm cada vez menos filhos, os jovens emigram (e os imigrantes não chegam para os compensar) e a esperança de vida sobe. O resultado é uma mancha de cabelos brancos cada vez maior. Nas zonas rurais de Freixo de Espada à Cinta, por exemplo, há 414 idosos por cem jovens. Este foi, aliás, um dos concelhos que mais envelheceram na última década.

É um forte contraste com Penafiel, o concelho com a zona rural mais jovem de todo o Norte: tem apenas 70 idosos por cem jovens. Mas olhando para o Norte no seu conjunto, a evolução do envelhecimento é expressiva: o número de idosos por cem jovens passou de 80 (em 2001) para 113, uma década depois. Um risco para o qual os demógrafos não param de alertar.

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