Economia

Exportações têm margem para continuar a crescer

Lisboa 09/05/2017 - Realizou-se esta tarde na sede do Santander Totta em Lisboa a Conferência Top Exporta.António Oliveira Marcos Lagoa Mário Coelho Anselmo Crespo( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

Foto Álvaro Isidoro

Sopram ventos favoráveis para as empresas portuguesas que exportam e as perspetivas prometem manter-se por mais alguns anos.

Esta a tónica geral da conferência Top Exporta 2017, uma iniciativa do Santander Totta, que se realizou ontem em Lisboa, destinada a distinguir duas mil empresas pelo seu desempenho a nível internacional.

"Portugal vai continuar a crescer e acredito que vai mesmo superar as previsões do FMI", disse José Luís Mora, aludindo ao facto de, pela primeira vez em dez anos, as principais economias estarem a crescer ao mesmo tempo. O diretor-geral do Santander Totta para a planificação financeira e desenvolvimento corporativo, que também é membro do grupo de peritos da Comissão Europeia para o setor bancário, considera que aquela circunstância, aliada ao forte crescimento da economia espanhola, vai favorecer as empresas portuguesas numa altura em que os dois países estão cada vez mais interligados.

Entre as razões que explicam o otimismo de José Luís Mora está a melhoria da competitividade de Portugal, o país da UE que mais conteve os custos unitários por hora de trabalho, e também aquele em que as exportações mais cresceram desde 2008, quando contavam 25% para o PIB e agora representam 40%. Outra das razões apontadas é o fenómeno do crescimento do turismo, que ainda tem potencial, sobretudo quando se atenta ao facto de o seu mercado natural serem os 500 milhões de consumidores "relativamente ricos" de uma UE em crescimento.

Resumindo a sua intervenção, José Luís Mora apela a que as empresas aproveitem os próximos dois a três anos do ciclo de crescimento continuando a melhorar a competitividade, a aproveitar o aumento do mercado doméstico, a ganhar dimensão, a internacionalizar e a investir em tecnologia e digitalização.

Também a diretora-geral da consultora Informa D&B, Teresa de Menezes, traçou um retrato animador das exportadoras portuguesas a partir do seu modelo de avaliação , que permite hierarquizar as empresas mediante o seu desempenho. De acordo com os critérios adotados - empresas que exportem pelo menos 5% do seu volume de negócios ou o equivalente a um milhão de euros ou mais - foram identificadas 33 152 empresas, que representam 11% do universo empresarial, e geraram 140 mil milhões de euros em 2015.

Segundo as conclusões do estudo, a exportação de serviços está a crescer de forma mais acelerada, representando já um terço do total, mantendo-se o ritmo com os nossos principais parceiros como França, Espanha e Reino Unido e uma forte quebra para Angola (-30%) e China.

Teresa de Menezes referiu que o número de empresas exportadoras cresceu a um ritmo mais elevado do que as não exportadoras (4,4%), representando já 11,1% do total do tecido empresarial. Segundo os dados da Informa, parceira do Top Exporta, "a importância das exportações no negócio das empresas tem vindo a aumentar (mais 9 pontos percentuais) representando quase metade da sua faturação.

Teresa de Menezes destacou ainda algumas vantagens de ser exportador: beneficiam de maior cumprimento nos prazos de pagamento do que os praticados em Portugal (tendo potencialmente melhores condições de liquidez), têm menor risco de insolvência, e o desempenho nos mercados externos é superior ao do mercado interno. Quase metade das exportadoras são da indústria transformadora e do setor grossista.

Esta revolução no perfil das empresas portuguesas está a acontecer em simultâneo com a era da digitalização, como lembrou Nadim Habbib, professor e coordenador científico da Nova Business School. "Os custos de contexto num processo de internacionalização têm baixado dramaticamente por causa do digital, permitindo, por exemplo, projetar a marca à escala global muito rapidamente". Por outro lado, Nadim Habbib sublinhou o "trazer vantagem à cadeia de valor, permitindo uma interação com o cliente, uma maior previsibilidade nas vendas que por sua vez potencia uma maior eficiência na produção e ganhos de competitividade".

Também o presidente da Comissão Executiva do Santander Totta, António Vieira Monteiro, se referiu à digitalização como "uma estratégia que veio atravessar as nossas empresas de cima abaixo e mudar a forma de trabalhar". Para além dos 35 mil milhões de euros de crédito concedido às empresas desde 2008, e da disponibilização do portal e international desk aos clientes, "o banco quer ajudar a preparar os clientes para o futuro" e vai apostar na formação, nomeadamente sobre digitalização, através de estágios de universitários nas empresas, financiados pelo Santander Totta, disse António Vieira Monteiro no encerramento da conferência.