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Durão preocupado com pressão dos mercados sobre Itália e Espanha

Durão preocupado com pressão dos mercados sobre Itália e Espanha

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, considerou, esta quarta-feira, que a pressão dos mercados sobre a dívida espanhola e italiana é claramente "injustificada", mas reconhece ser um "motivo de profunda preocupação".

"Os desenvolvimentos nos mercados da dívida soberana de Itália e Espanha são motivo de profunda preocupação. Estes acontecimentos são claramente injustificados se se tiver em conta os princípios económicos e orçamentais desses Estados-membros e os passos que estão a dar para reforçar" a sua situação financeira, afirma Durão Barroso em comunicado divulgado pelas agências internacionais.

Durão Barroso lança assim um apelo aos Estados-membros e argumenta que a pressão dos mercados impõe a implementação, o quanto antes, das decisões tomadas na cimeira da zona euro, no sentido de dar respostas adaptadas à "gravidade" da situação.

"É essencial agir rapidamente e implementar tudo o que foi decidido pelos dirigentes da zona euro" no sentido de "enviar um sinal sem ambiguidade, mostrando que a zona euro vai resolver a crise da dívida soberana com os meios adaptados à gravidade da situação", argumenta Durão Barroso.

No comunicado, o presidente da Comissão Europeia refere que vai, ainda esta quarta-feira, escrever aos chefes de Estado da zona euro para os pressionar a aplicar as medidas tomadas na cimeira que decorreu em Bruxelas há cerca de duas semanas.

"A aplicação de certas medidas vai necessitar da intervenção dos parlamentos nacionais (...) Apelo aos chefes de Estado e de Governo para que me garantam que essas decisões serão tomadas o quanto antes".

Juros aproximam-se dos 7%

As tensões sobre Itália e Espanha estão novamente a gerar instabilidade em toda a zona euro, em menos de 15 dias depois da cimeira extraordinária destinada a discutir medidas que impedissem o contágio da crise da dívida soberana.

Esta manhã, as obrigações italianas com maturidades a dois, cinco e dez anos atingiam máximos históricos, ao negociar nos 4,682%, 5,542% e 6,137%, respectivamente, segundo a agência financeira Bloomberg.

Destaque também para as obrigações soberanas de Espanha. Na maturidade a dez anos, os juros exigidos pelos investidores para transacionar dívida soberana espanhola negociavam nos 6,281%.

Nas maturidades a cinco e dois anos, as obrigações de Espanha negociavam nos 5,597% e 4,533%, respectivamente.